Atos contra feminicídio reúnem milhares nas capitais brasileiras
Protestos reuniram ministras e lideranças em resposta ao aumento da violência de gênero; Brasil registrou 1.492 feminicídios em 2024
Manifestações contra o feminicídio tomaram ruas de várias cidades brasileiras neste domingo (07/12), em resposta ao avanço dos casos de violência de gênero no país. Os atos, organizados pelo movimento nacional Mulheres Vivas, ganharam força após sucessivos episódios de agressões e mortes de mulheres.
As mobilizações começaram pela manhã em Curitiba, Brasília e Belo Horizonte, e se estendem ao longo do dia em São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Teresina, Manaus, Boa Vista e outras capitais.
Em Brasília contou com a presença de seis ministras do governo federal, entre elas as da pasta da Mulher, Cida Gonçalves, da Igualdade Racial, Anielle Franco, e das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, além de deputadas federais, da primeira-dama Janja Lula da Silva e diversas lideranças populares.
O ato em São Paulo teve início às 14h em frente ao Masp, mulheres de diferentes faixas etárias, acompanhadas por homens e crianças, ergueram cartazes com mensagens como “misoginia mata” e “nenhuma a menos”, além de homenagens nominais a vítimas recentes de feminicídio. A Polícia Militar acompanha a manifestação, após a deputada Érika Hilton ter criticado o anúncio do governo Tarcísio de Freitas de não fornecer proteção policial ao protesto.
Em Belo Horizonte, participantes se concentraram por volta das 11h na Praça Raul Soares, seguindo em marcha até a Praça da Estação. Cartazes traziam apelos por justiça com frases como “basta de feminicídio” e “pare de matar as mulheres”. Já em Curitiba, o protesto começou às 10h no Largo da Ordem, onde o coro “Mulheres Vivas” ecoou enquanto manifestantes denunciavam a impunidade e pediam responsabilização de agressores.
Em 2024, o Brasil registrou 1.492 feminicídios — o maior número desde a criação da tipificação penal em 2015. Somente no estado de São Paulo, foram contabilizados 53 feminicídios em 2025, um recorde na série histórica. No mesmo estado, os assassinatos de mulheres por razão de gênero aumentaram 10% desde janeiro.
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Casos recentes
A mobilização nacional foi convocada após uma onda de feminicídios recentes que abalaram o país. Na sexta-feira (05/12), foi encontrado, em Brasília, o corpo carbonizado da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos. O crime está sendo investigada como feminicídio, após o soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, ter confessado a autoria do assassinato.
No final de novembro, Tainara Souza Santos teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro, enquanto ainda estava presa embaixo do veículo. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso acusado do crime.
Duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ), no Rio de Janeiro, foram mortas a tiros por um funcionário da instituição que se matou em seguida.
























