Segunda-feira, 7 de setembro de 2026
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Após o tarifaço imposto pelo governo norte-americano de Donald Trump, os ministros brasileiros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, como também do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, Márcio Elias Rosa, criticaram o tratamento dos Estados Unidos ao país sul-americano, descrevendo-o como “injusto e discriminatório”, sendo incompatível com as regras multilaterais de comércio. A posição foi divulgada em comunicado pelo Itamaraty nesta segunda-feira (31/08).

Pela primeira vez após a medida tarifária anunciada por Trump, em julho, sobre produtos brasileiros, os ministros realizaram uma reunião virtual com o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, que teve como objetivo avançar nas negociações em torno do assunto.

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As autoridades destacaram que “o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país”. De acordo com os ministros, as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos nas conclusões das investigações conduzidas no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana “não correspondem às efetivas práticas brasileiras”.

No encontro, a nota informa que ambas as partes concordaram em se reunir novamente, em nível ministerial, para revisar o progresso alcançado nas negociações bilaterais e conversas de nível técnico que devem ocorrer nas semanas seguintes. O comunicado destaca, porém, que todavia não há uma data específica para isso. Por outro lado, a apuração do site UOL afirma que as partes acertaram um encontro pessoal em Milwaukee, em Wisconsin, entre 30 de setembro e 1º de outubro.

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“O lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanas, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países”, afirma a nota. “O governo brasileiro reitera que seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional”.

O governo brasileiro descreveu o tratamento dos Estados Unidos ao país sul-americano como ‘injusto e discriminatório’ diante do tarifaço
The White House

A medida unilateral de Trump contra o Brasil consiste em duas tarifas. A primeira, de 25%, foi justificada pelo governo norte-americano por supostas práticas comerciais desleais, enquanto a segunda, de 12,5%, por supostas falhas no combate à importação de produtos produzidos com trabalho forçado. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), ao todo, as duas sobretaxas atingem 3.985 produtos, ou seja, US$ 10,8 bilhões (aproximadamente R$ 55 bilhões) em mercadorias brasileiras a Washington.

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