A Casa Branca acompanha de perto a crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF), que levou ao afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, nesta terça-feira (09/09). A informação é do UOL.
Fontes do governo dos Estados Unidos afirmaram ao veículo que Washington vem monitorando os acontecimentos, mas garantiram que os Estados Unidos são apenas “observadores” dos acontecimentos.
Nesta terça-feira (08/09), o ministro André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues, alegando ter sido alvo de monitoramento da PF durante o mês de agosto. Sobre o episódio, um funcionário da diplomacia norte-americana celebrou a decisão: “já era hora”, disse à reportagem.
Mendonça foi pivô da tensão junto às autoridades norte-americanas, em abril deste ano, após uma operação do ICE prender o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, que havia fugido para os Estados Unidos depois de ser condenado por participar da tentativa de Golpe de Estado, em 8 de janeiro.
Na época, destaca a reportagem, os agentes do ICE chegaram a comemorar a captura de “um imigrante foragido”, no entanto, Eduardo Bolsonaro e demais bolsonaristas nos Estados Unidos pressionaram o Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, para soltar Ramagem.
Segundo a apuração do UOL, ele foi incluído entre os alvos do ICE pelo delegado Marcelo Ivo Carvalho, que atuava como oficial de ligação da PF junto à polícia migratória na Flórida. Em 20 de abril, o visto de Carvalho foi cassado pelo governo Trump e ele retornou ao Brasil. Depois do episódio, em retaliação, Andrei Rodrigues determinou a saída imediata do país de um agente norte-americano, que trabalhava em Brasília.

Segundo as fontes ouvidas pelo UOL, as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes poderão ser retomadas nas próximas semanas. Integrantes do governo Trump consideram a medida uma “aposta segura”.
A reportagem afirma que a avaliação dentro do Departamento de Estado é de que os efeitos políticos da atual crise podem ultrapassar o ministro do STF e atingir as pretensões eleitorais de Lula. Aponta, ainda, uma divisão dentro da administração Trump sobre como agir diante da eleição presidencial brasileira.
Uma ala ligada ao Departamento de Estado, comandada por Marco Rubio, defende a interferência no processo eleitoral em benefício de Flávio Bolsonaro. Outro grupo pressiona por maior distanciamento e pragmatismo, apontando que uma intervenção mais aberta poderá comprometer as relações entre Washington e Brasília, caso Lula seja reeleito.