Centrais sindicais e movimentos exigem envio de petróleo brasileiro a Cuba
Durante ato em frente à sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, petroleiros encaminharam carta à direção da empresa cobrando ação contra bloqueio energético dos EUA
Petroleiros, sindicatos e organizações populares realizaram, nesta quinta-feira (26/02), um ato na frente da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, exigindo que a empresa envie petróleo bruto e derivados a Cuba, em resposta ao bloqueio energético dos Estados Unidos contra o país caribenho.
“O Brasil e a Petrobras têm um papel histórico a cumprir. Nossa produção de petróleo, fruto do suor dos petroleiros e petroleiras brasileiros, deve estar à serviço da integração e da solidariedade latino-americana”, afirmam os sindicalistas.
O protesto foi organizado pelas duas federações nacionais dos petroleiros, a FUP e a FNP, com apoio do Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba e às Causas Justas, a Associação Cultural José Martí e outras entidades populares, no escopo da campanha “Petróleo para Cuba, Já!”
O ato terminou com a entrega de uma carta à direção da Petrobras, endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à presidente da empresa, Magda Chambriard. “Entendemos que a Petrobras, como empresa brasileira estratégica e historicamente comprometida com o desenvolvimento e a soberania energética, pode desempenhar um papel relevante em uma iniciativa humanitária, contribuindo para mitigar os efeitos da crise e preservar vidas”, diz o texto.
No documento, eles defendem o fornecimento emergencial de combustível para aliviar os efeitos da crise de abastecimento na ilha e rechaçam o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, em particular, a ordem executiva assinada em 29 de janeiro pelo presidente norte-americano Donald Trump, que autoriza a aplicação de tarifas a países que forneçam petróleo à ilha.

Centrais sindicais e movimentos exigem que governo envie petróleo e derivados a Cuba
@AndreteleSUR / X
Capacidade técnica
Os sindicalistas destacam que a Petrobras possui capacidade técnica e responsabilidade histórica para atuar em uma iniciativa humanitária, apontando que o consumo anual de petróleo de Cuba equivaleria a apenas seis dias da produção total da empresa brasileira, tornando a operação viável sob os pontos de vista econômico e logístico.
A carta solicita “urgentemente que o Brasil e a Petrobras liderem um esforço de assistência humanitária e energética na América Latina, incluindo o fornecimento de combustíveis, medicamentos, alimentos e apoio a projetos de transição para o uso de energia fotovoltaica na ilha”.
“Consideramos essencial abrir imediatamente um diálogo para avaliar possíveis alternativas, dentro dos atuais marcos legais e institucionais, que permitam ao Brasil agir em solidariedade diante da situação apresentada”, afirma o texto, ao observar que a Suprema Corte dos EUA recentemente pôs fim aos chamados “aumentos tarifários” impostos por Donald Trump.
“O Brasil e a Petrobras não devem se submeter ao imperialismo estadunidense e precisam fornecer petróleo brasileiro à ilha como um ato humanitário e em solidariedade com a América Latina”, afirmam os petroleiros, ao destacar que a cooperação energética regional está alinhada a princípios constitucionais brasileiros de integração latino-americana.
“Não podemos aceitar que o bloqueio imperialista utilize a energia como arma de guerra”, diz o texto.
























