Contrário às decisões 'sob medida para Trump', Brasil pretende endossar apenas três textos do G7
Como convidado, país tem liberdade de acatar ou não propostas dos membros plenos da cúpula que termina nesta quarta (17)
Dos oito textos negociados na cúpula do G7 em Évian, na França, o Brasil deve concordar com apenas três. Segundo fontes próximas das negociações, os documentos foram ‘feitos sob medida’ para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não abandonasse o evento, deixando de fora temas como mudanças climáticas, a importância dos organismos das Nações Unidas e o papel dos conflitos mundiais nas crises internacionais.
A cúpula, presidida este ano pela França, encerra-se na tarde desta quarta-feira (17/06). O Brasil, ao lado de Coreia do Sul, Índia, Quênia e Egito, não faz parte do grupo, mas participa como país convidado. Nesta condição, o governo brasileiro esteve presente em uma série de negociações preliminares ao evento, ao longo do ano, e agora tem a liberdade de endossar ou não os textos finais decididos pelos membros plenos do G7: Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Japão e Canadá.
Até o momento, seis documentos já foram revelados: sobre as questões geopolíticas da atualidade, a renovação das parcerias internacionais, o combate ao câncer, ao ebola, ao tráfico de drogas e de migrantes. Destes, o governo brasileiro apoiou apenas o de combate ao câncer e ao tráfico de drogas.
Brasília deve, ainda, endossar as conclusões sobre a proteção de menores na esfera digital, documento que ainda está em preparação e será o tema da última sessão de debates da cúpula. A sessão terá a presença de cerca de 10 CEOs de grandes empresas de tecnologia, como Sam Altman, da Open AI.

Contrário à linguagem ‘sob medida para Trump’, Brasil só aprovará três textos do G7
Ricardo Stuckert / PR
França acomodou visão americana nos textos
O Brasil não é o único convidado a se abster de assinar as declarações finais da cúpula. Os demais países do sul global também não aprovaram a maioria dos textos, com os quais apenas a Coreia do Sul concordou. Conforme um integrante da delegação brasileira, os documentos refletem o desejo da presidência francesa de evitar que, como ocorreu em 2025, Donald Trump deixasse o evento antes do fim ou bloqueasse os documentos.
Desta forma, Paris abriu mão de evocar o tema das mudanças climáticas, ausente das declarações. No texto sobre o combate ao ebola, não há menção sobre a importância e expertise da Organização Mundial da Saúde (OMS), da qual os Estados Unidos se retirou, como da maioria dos organismos das Nações Unidas.
Sobre as parcerias internacionais para o fomento do desenvolvimento, Donald Trump confunde ajuda internacional com empréstimos, cuja dívida estrangula a capacidade das nações africanas, as maiores necessitadas, conseguirem avançar. Já o documento sobre a questão estratégica do acesso aos minerais críticos, o tom da declaração é crítico ao papel da China, tratada como uma ameaça para o resto do mundo. Em seu conjunto, os textos refletem a visão dos países do norte sobre as grandes questões globais, e especialmente a postura norte-americana.
Agenda de Lula
Nesta manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do painel sobre os desequilíbrios macroeconômicos globais, um dos assuntos mais importantes da cúpula. Nesta sessão, ele fará o seu segundo e último discurso do encontro. No início do painel, transmitido à imprensa, Donald Trump chegou atrasado à mesa, ao lado dos demais líderes, e chegou a ser brevemente substituído por Scott Bessent, secretário do Tesouro americano.
Na sequência, Lula estará presente no almoço de trabalho sobre inteligência artificial e a proteção de menores no ambiente digital, que contará com a participação de 12 CEOs.
No intervalo entre os dois compromissos, o presidente terá uma reunião bilateral com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sissi. À tarde, poderá se encontrar com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, convidado a participar da cúpula pelo francês Emmanuel Macron.
A agenda do líder brasileiro termina no fim da tarde, com uma reunião com o o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza, em Genebra, seguida de uma entrevista coletiva à imprensa brasileira.
























