'Decisão tensiona relação Brasil-EUA', diz NYT após anúncio de PCC e CV em lista de terrorismo
Veículos internacionais ressaltam receio do governo brasileiro de ingerência externa, apontando defesa de Flávio Bolsonaro junto a Trump pela medida; confira cobertura
O anúncio de Washington de que pretende incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas do país teve forte repercussão nos principais veículos internacionais nesta sexta-feira (29/05).
A cobertura enfatiza a oposição do governo brasileiro à medida e aponta que a decisão ocorreu após a visita do senador Flávio Bolsonaro ao presidente norte-americano, Donald Trump.
The New York Times (NYT) destaca o encontro e as pressões do pré-candidato bolsonarista pela decisão, afirmando que integrantes do governo Lula enxergam a iniciativa como uma forma de interferência externa no debate eleitoral brasileiro. Segundo NYT, “a designação de terrorista ameaça novamente tensionar os laços entre as duas maiores nações do Hemisfério Ocidental, que só recentemente começaram a reparar suas relações”.
A reportagem ressalta que o governo brasileiro afirma que PCC e CV são organizações criminosas voltadas ao lucro e não grupos com motivações ideológicas ou políticas, definição tradicionalmente associada ao terrorismo.
Já a agência Al Jazeera aponta que a decisão se insere em uma estratégia mais ampla do governo norte-americano de ampliar o uso da classificação de terrorismo contra grupos ligados ao narcotráfico e ao crime organizado na América Latina. O texto diz que Washington vem “borrando a distinção entre atividade criminosa e terrorismo”.
A agência do Catar ressalta que o tema pode ter forte impacto eleitoral no Brasil, onde a segurança pública se tornou um dos principais assuntos da disputa presidencial de 2026. O veículo também destaca a resistência do governo Lula à classificação e menciona os temores de que a medida possa abrir precedentes para ações mais agressivas dos Estados Unidos na região.

Cobertura internacional destaca oposição brasileira à inclusão de PCC e CV em lista de terroristas
Daniel Torok/ Casa Branca
Oposição de Lula
O francês Le Monde destaca que o governo Lula se opôs “veementemente” à classificação de PCC e CV como organizações terroristas. O jornal frisa que integrantes do governo brasileiro temem que esse tipo de designação seja posteriormente utilizado para justificar intervenções militares norte-americanas sob a bandeira do combate ao terrorismo.
A publicação também enquadra a decisão dentro da política regional de Donald Trump, marcada por uma postura mais agressiva em relação ao crime organizado e aos governos latino-americanos considerados adversários de Washington.
Já o espanhol El País diz que a medida representa um revés político para Lula e ressalta que o presidente brasileiro rejeita a classificação por considerar que ela pode abrir caminho para futuras intervenções estrangeiras.
El País também destaca que especialistas brasileiros questionam a eficácia prática da decisão e apontam que a iniciativa possui forte carga política, especialmente por ocorrer em meio à campanha presidencial e após articulações de Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump.
O Financial Times, por sua vez, diz que a medida ameaça aumentar as tensões diplomáticas entre Brasília e Washington. O jornal também destaca que Lula teme que a classificação seja usada como justificativa para futuras ações extraterritoriais e observa que a decisão foi anunciada após lobby de Flávio Bolsonaro junto à Casa Branca.
Por fim, a Reuters reitera que o governo Lula considera a classificação inadequada porque a legislação brasileira associa terrorismo a motivações políticas, religiosas ou ideológicas, e não ao crime organizado comum. A agência ressalta a fala do assessor especial da Presidência, Celso Amorim, que disse apoiar a cooperação internacional contra o tráfico de armas e lavagem de dinheiro, mas rejeitou qualquer iniciativa que possa servir de pretexto para intervenção externa.
“A segurança pública é uma questão fundamental. A cooperação internacional é bem-vinda, mas é inaceitável que essa colaboração seja usada como pretexto para intervenção estrangeira”, afirmou Amorim.
























