Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Durante participação por videoconferência em um evento da extrema-direita nos Estados Unidos, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu a exibição da cinebiografia Dark Horse e minimizou as investigações sobre o financiamento da obra, omitindo o envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro, acusado de repassar quantias milionárias para a produção do longa a pedido de seu irmão, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), informa o jornal O Globo.

A segunda exibição pública do filme ocorreu no último dia 11 de setembro durante a conferência Storm Summit, realizada no Ahern Hotel, em Las Vegas, com foco no tema “integridade eleitoral”. A primeira apresentação da obra havia ocorrido em meados de junho, no mesmo local, durante outro encontro batizado de Fraud Fighter Summit (Cúpula de Combate à Fraude).

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Diretamente de sua residência no Texas, Eduardo Bolsonaro participou de uma sessão de perguntas e respostas sobre o longa-metragem e o cenário eleitoral brasileiro, enquanto o diretor de Dark Horse, Cyrus Nowrasteh, esteve presente no palco.

Ao comentar o escândalo que envolve o financiamento da produção, Eduardo alegou: “já faz, sei lá, quatro meses que falam em Dark Horse. Tentam encontrar alguma coisa, dizem isso e aquilo. E, no fim das contas, não conseguem provar nada. Absolutamente nada. Por isso estão desesperados, já que faltam duas semanas para o primeiro turno das eleições”, declarou o ex-parlamentar, logo após Nowrasteh alegar que adversários tentam usar “um filme que ninguém no Brasil viu” contra a candidatura de Flávio Bolsonaro.

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Repasses investigados pela Polícia Federal

Apesar da negativa dos aliados da família Bolsonaro, investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) revelaram que a produção de Dark Horse recebeu ao menos US$ 12,3 milhões de Daniel Vorcaro. Os valores teriam sido direcionados ao fundo Havengate, sediado no Texas e sob a administração do advogado de imigração Paulo Calixto, figura próxima a Eduardo Bolsonaro.

Uma das principais hipóteses apuradas pelos investigadores é a de que parte desse montante possa ter custeado a permanência e as despesas do ex-deputado nos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, sustenta a tese de que todos os recursos empregados na realização do filme possuem origem estritamente privada.

Eduardo Bolsonaro exibe ‘Dark Horse’ nos EUA, omite patrocínio de Vorcaro e ataca Moraes
Reprodução/ Instagram de Flávio Bolsonaro

Ataques a Alexandre de Moraes e ao governo

Embora tenha evitado mencionar o nome de Vorcaro ao falar do filme, Eduardo Bolsonaro utilizou os vínculos do empresário para disparar ataques contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Sem citar nominalmente o magistrado, o ex-deputado alegou que Moraes atuava informalmente na defesa do banqueiro.

“A esposa dele é advogada. E ela tem um cliente que é banqueiro. Mas, na verdade, o banqueiro não estava contratando a esposa: ele contratou o juiz [Moraes]. O juiz estava atuando plenamente na defesa dele. Sabe, fazendo todas aquelas coisas ilegais”, afirmou Eduardo, referindo-se ao contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório Barci de Moraes e o Banco Master. Ele acrescentou ainda que o magistrado “estava editando um contrato de cerca de US$ 30 milhões da mulher”.

O ex-parlamentar elevou o tom das acusações ao afirmar que o banqueiro organizava festas com “moças da Rússia e da Ucrânia” frequentadas por autoridades do Congresso Nacional e da Suprema Corte. Eduardo também aproveitou o espaço para tentar associar o escândalo ao governo do presidente Lula (PT).

“Há milhões de dólares circulando de bolso em bolso, e o presidente Lula está ligado a essa gente. Eles fazem parte do mesmo regime”, acusou, voltando a criticar o chefe do Executivo pela proximidade diplomática e comercial com a China. Na mesma linha, fez menção indireta a outros episódios ao citar “o filho do presidente” e “o principal ministro do presidente”, classificando a situação política do país como “uma confusão total”.

Geopolítica e aproximação com a extrema-direita norte-americana

Durante sua fala aos conferencistas norte-americanos, Eduardo defendeu que o Brasil deveria alinhar sua política de segurança à dos Estados Unidos, criticando a postura do governo brasileiro de não endossar a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas por Washington.

Ele defendeu também a cooperação bilateral na exploração de minerais estratégicos como terras raras e no combate ao crime organizado, assegurando que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro resultaria na redução da imigração ilegal de brasileiros para o território norte-americano. “Ao longo de toda a história do Brasil, os Estados Unidos sempre foram nosso principal parceiro comercial. A China só assumiu o primeiro lugar depois de 2009, e isso aconteceu durante o segundo mandato de Lula da Silva, já que ele possui uma orientação ideológica que busca a aproximação com a China”, declarou.

O Storm Summit, cujos ingressos custavam US$ 700 (cerca de R$ 3,5 mil na cotação atual), reuniu figuras expoentes da extrema direita dos EUA, incluindo o ex-estrategista-chefe da Casa Branca Stephen Bannon, o ativista James O’Keefe e a atriz Roseanne Barr. O cartaz oficial do evento estampava a bandeira do Brasil sob a mensagem: “Storm Summit dá as boas-vindas à nossa família brasileira”.

Entre os palestrantes esteve também o ex-primeiro-ministro da Coreia do Sul Hwang Kyo-ahn. Detido em novembro de 2025 sob acusação de incitar insurreição ao apoiar a lei marcial decretada pelo ex-presidente Yoon Suk-yeol em 2024, Hwang esteve nos EUA alegando ter provas de fraude nas eleições sul-coreanas de junho do mesmo ano.

‘Parabéns para você’ e teorias da conspiração

No encerramento da conferência, o apresentador Juan O’Savin — influenciador alinhado ao movimento conspiratório QAnon — convidou ao palco Tina Peters, ex-funcionária eleitoral do estado do Colorado. Peters fora condenada por violar a segurança de equipamentos de votação para tentar provar supostas fraudes na eleição de 2020, vencida por Joe Biden contra Donald Trump. Ela deixou a prisão após cumprir apenas um quarto da pena de nove anos, em decorrência de pressões públicas exercidas por Trump sobre o governador do Colorado, Jared Polis.

A pedido de O’Savin, Eduardo Bolsonaro puxou do Texas a canção “Parabéns para você”, em inglês, para celebrar o aniversário de Peters. Em seguida, o apresentador conduziu uma oração em intenção a Jair Bolsonaro e sua família. Ao discursar, Peters estabeleceu um paralelo entre a sua condenação e a situação do ex-presidente brasileiro, condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado.

“Estamos, sem dúvida, em uma crise constitutional. Quando podem jogar alguém como eu na prisão pelo que dizemos, e quando podem jogar alguém como Bolsonaro, esse grande homem, na cadeia, a ponto de seu filho e sua família sofrerem por nem sequer poderem vê-lo, eles podem fazer isso com cada um de vocês”, concluiu a ativista americana.

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