A investigação da Polícia Federal (PF) sobre os possíveis crimes cometidos através da produção do filme Dark Horse apurou que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teria sido o responsável por orientar como os recursos para a obra seriam geridos nos Estados Unidos.
De acordo com relatórios da PF cujo sigilo foi derrubado nesta quinta-feira (10/09), os recursos foram depositados em um fundo chamado Havengate, sediado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto, figura ligada Eduardo.
A derrubada do sigilo foi homologada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), seguindo determinação do presidente da corte, ministro Edson Fachin.
Segundo a PF, o Havengate foi criado em 2020 e como um empreendimento imobiliário de US$ 21 milhões, mas que não possui propriedade em seu nome.
As evidências colhidas até o momento mostram que fundo não registrou movimentos durante quatro anos, até que passou a receber os depósitos para o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), que teriam sido enviados por assessores de Daniel Vorcaro após pedido feito pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo.
A partir de 2025, o Havengate recebeu de Vorcaro remessas que somam um total de US$ 24 milhões (cerca de R$ 122 milhões), enviadas através da empresa Entre Investimentos, citada pela PF, pertence ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior – também conhecido como “Mineiro” – que fechou recentemente um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
As evidências colhidas também demonstram que esses repasses foram interrompidos após a prisão do ex-dono do Banco Master, acusado de montar um mega esquema de fraude financeira através da instituição.
Um dos documentos da PF, analisando as provas apreendidas na investigação, ressalta que “a Calixsan Capital Management LLC – gestora do fundo, controlada pelos mesmos Paulo Calixto e Altieris Santana – cancelou seu registro como gestora regulada de investimentos no Texas (maio de 2021) e na Flórida (setembro de 2021), justamente quando o empreendimento deveria, segundo seu próprio cronograma, estar em plenas obras”.

Em outro trecho, se diz que “o fundo permaneceu juridicamente ativo, mas operacionalmente inerte por quase quatro anos, sem qualquer atividade pública registrada – até receber, em 13 de fevereiro de 2025, a primeira remessa de US$ 2.000.000,00 proveniente da Entre Investimentos para financiamento do filme”.
A PF suspeita que a reativação do fundo, originalmente criado para fins imobiliários, “dormente por anos, sem lastro em qualquer operação imobiliária ativa, como veículo de remessas internacionais vinculadas a uma produção cinematográfica, constitui circunstância objetiva que reforça a necessidade de apuração da compatibilidade entre o perfil do veículo financeiro utilizado e a destinação declarada dos recursos”.
Além da ligação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, a PF suspeita do envolvimento do publicitário Thiago Miranda no caso.
“No mês de março de 2025, Thiago Miranda informou a Daniel Vorcaro que ‘Flavio B e Eduardo’ pretendiam marcar reunião com ele a respeito do filme. Na sequência, como já mencionado, foi encaminhada captura de tela de conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro, com orientações sobre a gestão dos recursos nos Estados Unidos”, diz o documento da PF.