EUA planejam enviar representantes ao Brasil para questionar sistema eleitoral, revela jornal
Segundo fontes, missão terá como objetivo lançar dúvidas sobre integridade das urnas eletrônicas antes das eleições presidenciais
O governo de Donald Trump planeja enviar a Brasília, dentro de uma semana, dois altos funcionários do Departamento de Estado com a missão de questionar a segurança do sistema eleitoral brasileiro.
A informação foi revelada em matéria publicada neste sábado (25/07) pelo diário norte-americano Washington Post, com base em quatro fontes estadunidenses e brasileiras que falaram sob anonimato.
Segundo informações trazidas pela reportagem, a delegação estadunidense será formada por Riley M. Barnes, secretário-assistente de Estado, e Samuel Samson, secretário-adjunto assistente.
Samson é conhecido por promover a agenda conservadora de Trump em viagens a outros países. Nelas, o enviado frequentemente produz relatórios que ajudam a municiar os ataques a opositores ideológicos.
O governo americano confirmou a viagem, mas não compartilhou com o Washington Post maiores informações sobre a agenda prevista ou preocupações da administração Trump sobre o sistema eleitoral brasileiro.
As fontes brasileiras ouvidas pelo jornal suspeitam que o objetivo da missão seja se reunir com personagens que têm atacado as urnas eletrônicas e, com isso, produzir um relatório que possa ser usado para deslegitimar o processo eleitoral.
Reação brasileira
Dois diplomatas brasileiros disseram já terem sido informados sobre a missão e a classificaram como uma iniciativa incompatível com o que se espera de duas democracias.
Segundo eles, o governo brasileiro já estuda medidas para impedir a entrada dos enviados estadunidenses, caso a viagem tenha como objetivo interferir no processo eleitoral.

EUA enviarão ao Brasil missão diplomática com objetivo de questionar urnas eletrônicas
Tânia Rêgo / Agência Brasil
O Washington Post lembra que o sistema eletrônico de votação é usado no Brasil desde 1996, administrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e passou por sucessivos testes públicos de segurança, sendo considerado seguro e confiável por observadores internacionais.
A reportagem também recorda que o episódio ocorre dias após novas declarações do senador Flávio Bolsonaro questionando a confiabilidade das urnas, e que, após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022, o ex-presidente tentou, sem sucesso, liderar um golpe de Estado baseado na contestação do resultado da eleição – e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por esse motivo, pelo qual se encontra atualmente em prisão domiciliar.
























