Segunda-feira, 8 de junho de 2026
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O governo dos Estados Unidos anunciou a aplicação de uma nova tarifa sobre produtos brasileiros no escopo de outra investigação comercial envolvendo 60 países e a União Europeia, relacionada à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Washington propôs nesta quarta-feira (03/06) uma taxa adicional de 12,5% aos produtos brasileiros, após incluir o Brasil na lista de países que, segundo a Casa Branca, apresentam falhas no combate e na fiscalização dessas mercadorias.

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“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores norte-americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais essa disparidade”, declarou o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

A medida ocorre após o anúncio, nesta terça-feira (02/06), da cobrança de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelo mesmo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), após as investigações comerciais contra o país.

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Segundo reportagem do UOL, com base em fontes da diplomacia brasileira, Greer disse ao chanceler Mauro Vieira que Washington quer continuar o diálogo com o Brasil. Eles se encontraram nesta quarta-feira (03/06), em Paris, durante a Cúpula do Conselho Ministerial da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Vieira teria respondido ao representante comercial norte-americano que o governo brasileiro está aberto ao diálogo e que deseja intensificar as negociações.

EUA propõem tarifas a 60 países; Brasil está incluso com taxa adicional de 12,5%
Daniel Torok/ Casa Branca

Lista de 60 países

A investigação comercial contra 60 países e a União Europeia por suspeitas relacionadas ao uso de trabalho forçado em cadeias produtivas foi anunciada em 12 de março, visando verificar práticas que poderiam configurar concorrência desleal no comércio internacional.

A decisão é baseada na Seção 301, um mecanismo da Lei de Comércio norte-americana de 1974 que permite aos Estados Unidos investigarem e retaliarem países que adotam práticas consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos. Com a medida, Trump tenta reaver a anulação do “tarifaço”, por decisão da Suprema Corte do país, em fevereiro deste ano, que alegou “extrapolação ilegal de poder”.

Pelo resultado agora divulgado os países da União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador foram enquadrados em uma categoria sujeita a uma tarifa adicional de 10%, por possuírem algum tipo de proibição legal ou mecanismo de controle.

O Brasil e demais países estão incluídos no grupo que receberiam a sobretaxa de 12,5%. Mercadorias como aço, alumínio, carnes, frutas e café, minerais, metais preciosos, produtos químicos, farmacêuticos e tecnológicos estão isentos da nova taxa.

De acordo com o USTR, o país não possui uma proibição legal específica para a importação de produtos fabricados total ou parcialmente com trabalho forçado em outros países.

Ainda não está claro se a tarifa de 12,5% será aplicada de forma independente ou somada à sobretaxa de 25%. Assim como a proposta anunciada ontem, a medida será submetida a consulta pública. A audiência foi marcada para 7 de julho.