Segunda-feira, 8 de junho de 2026
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A inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) nas listas de organizações terroristas marca a “primeira intervenção de Donald Trump nas eleições presidenciais brasileiras e ameaça a soberania nacional”, afirmou a analista internacional Rose Martins.

“Muitos se perguntavam se o governo dos Estados Unidos agiria diretamente para influenciar no pleito eleitoral ou indiretamente através das suas big techs. Então, agora está claro que sim. Washington está disposto, eles têm um candidato e tomaram essa decisão, com essa simbologia”, disse a Opera Mundi.

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Martins recordou que a classificação dessas organizações como grupos terroristas já era esperada há algum tempo. “O fato de ter ocorrido após a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca é extremamente simbólico. Significa que, além da pressão econômica e de segurança que essa medida impõe, Trump decidiu dar um reforço à campanha eleitoral bolsonarista”.

A especialista acrescenta que o presidente Lula precisa justamente denunciar como a família Bolsonaro, por meio de outro governo, assim como fez com as sanções, usa ferramentas externas que limitam e violam a nossa soberania, podendo criar problemas econômicos e financeiros.

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Martins defende a comunicação imediata do presidente brasileiro com o povo, rechaçando que “Washington é uma ameaça à soberania nacional e isso precisa estar claro, tanto do ponto de vista econômico, como também pode avançar para operações militares em nosso território”.

A medida criticada por Martins foi anunciada oficialmente nesta quinta-feira (28/05). O governo dos Estados Unidos, através do seu Departamento de Estado, anunciou que vai incluir as facções criminosas nas listas de “terroristas globais especialmente designados” (SDGT) e de “organizações terroristas estrangeiras” (FTO).

“A inserção dessas organizações nessa lista faz com que Donald Trump possa realizar essas ações sem consultar o Congresso dos Estados Unidos“, afirma Martins, acrescentando que isso “significa que Washington oficialmente as entende como uma ameaça à sua segurança nacional. Esse entendimento fornece ao governo norte-americano uma série de ferramentas, de ordem econômica e militar, para lidar com a suposta ameaça”.

‘Primeira intervenção de Trump nas eleições brasileiras’, analista vê simbolismo em inclusão de PCC e CV em lista terrorista dos EUA
Official White House | Molly Riley

Durante a viagem de Lula à Casa Branca, os deputados do Partido Democrata enviaram uma carta ao Departamento de Estado pedindo que essa medida não fosse tomada, “porque eles sabem dos perigos que envolvem a inserção de organizações nessa lista e os precedentes perigosos que abrem”.

Segundo o comunicado do Departamento de Estado, a medida entrará em vigor no dia 5 de junho. “A partir disso, o governo Trump pode impor sanções a indivíduos, empresas e instituições financeiras brasileiras”. Martins acrescenta que também há “possibilidades de realizar operações militares” ao mesmo tempo que “uma invasão nos parece muito distante, mas Washington pode fazer operações próximas ao Brasil, inclusive com países que estão alinhados com o governo republicano”.

Intervenção de Trump na América Latina

“No final do ano passado, os Estados Unidos lançaram um documento de Segurança Nacional, em que deixa claro que a América Latina deve ser uma área de sua influência. As organizações criminosas possuem atividades no Paraguai, que também podem servir de justificativa para os Estados Unidos realizarem operações muito próximas à fronteira do Brasil e fazer uma pressão”, afirmou.

A operação do Comando Sul que realizou ataques a embarcações no mar do Caribe foi justificada como supostos transportes de cocaína para os Estados Unidos. “Washington declarou que elas desafiavam a segurança nacional do país e a saúde pública e que os Estados Unidos podiam agir assim”.

Além disso, a estratégia trumpista também é notória com a criação do Escudo das Américas — que abrange Argentina, Bolívia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago. “Uma vez que os presidentes desses países praticamente disseram que estão dispostos a colaborar para que os Estados Unidos façam o combate ao tráfico internacional de drogas na região, contenham os fluxos migratórios ilegais e também a lavagem de dinheiro”.

Outro ponto é a decisão do Senado Paraguaio em instalar uma base militar norte-americana permanente no país, como também a presença de militares no Equador realizando operações conjuntas. “Foi nesse contexto que o presidente colombiano, Gustavo Petro, denunciou que as suas forças encontraram 27 corpos carbonizados na fronteira com o Equador”.

“O cenário regional atual está muito difícil para os governos de esquerda, principalmente para os governos que os Estados Unidos encaram como um desafio a essa estratégia de manter a América Latina sob a sua influência. Nesse documento eles falam em expulsar potências ‘estranhas’, ou seja, se referindo a China e a Rússia, de forma indireta”, afirmou.