Quinta-feira, 9 de julho de 2026
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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou nesta quinta-feira (02/07) como “uma atitude de traidores da Pátria” o documento enviado pelo senador e pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro ao governo dos Estados Unidos. A declaração foi publicada em sua conta na rede social X.

No documento de 86 páginas, encaminhado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável pela investigação comercial contra o Brasil, Flávio Bolsonaro argumenta que as medidas adotadas por Washington não produziram o efeito esperado. Segundo o senador, a imposição de tarifas acabou fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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O parlamentar também afirma que as tarifas impostas pelos Estados Unidos teriam maior efetividade caso fossem implementadas somente após as eleições presidenciais brasileiras.

Em sua publicação, Lula afirmou que “é inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses do país norte-americano”. O presidente acrescentou que “nós sempre vamos dialogar de igual para igual com qualquer nação do mundo”.

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Lula também classificou como um “absurdo” o fato de que, segundo ele, “a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro, que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros”.

O documento encaminhado ao USTR afirma ainda que “pesquisas de opinião pública brasileiras mostram que a posição eleitoral do atual governo se fortaleceu precisamente durante os períodos em que a pressão tarifária dos Estados Unidos foi mais evidente”.

Em sua carta, Flávio Bolsonaro avaliou que uma nova rodada de tarifas “recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que tem adotado: obstruir negociações sérias, provocar retaliações e, em seguida, converter essa retaliação em uma vitória política interna”.

Como alternativa, o pré-candidato propõe ao governo Trump que as sobretaxas sejam suspensas temporariamente por um período de 180 dias Ele apoia, para esse período, o início de uma negociação bilateral em que ambas as partes discutam os temas investigados pelo USTR.

Para o senador brasileiro, as tarifas norte-americanas somente deveriam ser implementadas caso as negociações não produzam um acordo entre os dois países. Mas caso haja um avanço nas negociações entre os países, defende a possibilidade de prorrogação por mais 90 dias de suspensão do tarifaço.

Flávio Bolsonaro pediu aos EUA que adiem por 180 dias as novas tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo o senador, a medida seria mais eficaz após as eleições presidenciais
Lula Marques/Agência Brasil

“O governo atual teria esse período para se engajar em negociações de boa-fé, sem a perspectiva de dividendos eleitorais, ou enfrentaria as consequências da retomada dessas ações”, afirma. Segundo ele, esse intervalo também permitiria que a oposição conservadora pressionasse o governo por uma negociação mais efetiva.

Outra sugestão apresentada pelo parlamentar na carta é que os Estados Unidos substituam tarifas amplas por medidas direcionadas, como sanções financeiras e restrições de visto baseadas na Lei Magnitsky. Em sua avaliação, esse tipo de instrumento seria mais eficiente para responsabilizar diretamente os indivíduos pelas condutas questionadas, sem afetar amplamente empresas e consumidores dos dois países.

Para sustentar sua defesa, Flávio repetiu as palavras da ala governista de Lula de que as tarifas prejudicariam a própria economia norte-americana, justamente porque os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil.

“Em outras palavras: as tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”, afirma ele no documento.

As novas tarifas de Washington alimentaram o embate político entre governo brasileiro e a oposição. O presidente Lula tem atribuído a ofensiva comercial dos Estados Unidos à atuação de integrantes da família Bolsonaro, especialmente do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, junto a autoridades norte-americanas. Em mais de uma ocasião, o petista classificou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro como “traidores da pátria”.

A declaração faz referência, entre outros episódios, ao apoio manifestado por Eduardo às sanções impostas por Washington. Em julho de 2025, após o governo Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o ex-deputado brasileiro agradeceu publicamente ao republicano pela decisão.

“Obrigado, presidente Donald J. Trump. Espero que as autoridades brasileiras agora tratem esses assuntos com a seriedade que merecem. O Brasil não pode — e não vai — se tornar outra Venezuela, Cuba ou Nicarágua. Deus abençoe os Estados Unidos, Deus abençoe o Brasil”, escreveu Eduardo à época.