Quinta-feira, 14 de maio de 2026
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O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva classificou a reunião com o homólogo norte-americano Donald Trump nesta quinta-feira (07/05) em Washington, na Casa Branca, que durou mais de três horas, como um “passo importante na consolidação da relação democrática e histórica”. Durante coletiva, o líder sul-americano ressaltou que uma boa relação entre as “duas maiores democracias do continente” pode servir como um “exemplo para o mundo”.

De acordo com Lula, os Estados Unidos, durante um bom tempo, “deixaram de olhar para a América Latina, só olhavam com olhar de combate ao narcotráfico, como a União Europeia também deixou de olhar para a América Latina”. Acrescentou ainda que somente agora “perceberam a importância, outra vez” do continente em meio a um cenário global conturbado.

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O mandatário também se colocou à total disposição para eventual “ajuda” que os Estados Unidos precisam referente ao assunto da situação em Cuba, criticando o bloqueio histórico imposto pela nação contra a ilha.  “Ele [Trump] disse que não pensa em invadir Cuba. Eu acho que esse é um grande sinal, até porque Cuba quer dialogar e quer encontrar uma solução para colocar fim ao bloqueio que nunca deixou Cuba ser um país completo, livre desde a vitória da Revolução de 59″, disse Lula.

“Acho que é o bloqueio mais longevo da história da humanidade. Então eu estou à disposição. Se precisar que o Brasil converse sobre qualquer país, com qualquer país, sobre a questão das interferências americanas, em Cuba, no Irã, o Brasil está disposto a conversar”, acrescentou.

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Além disso, o mandatário brasileiro também abordou a situação na Venezuela, país onde o governo dos Estados Unidos articularam uma invasão militar no início do ano e sequestraram o presidente Nicolás Maduro, junto de sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores. Desde então, quem lidera a nação caribenha de forma interina é Delcy Rodriguez.

“Ele acha que na Venezuela está tudo resolvido. Eu espero que esteja. Eu lido com a Venezuela desde 2002. Eu acho que a Venezuela… Eu espero que a Venezuela resolva seus problemas, porque o povo venezuelano precisa ter uma chance na vida de viver bem”, disse.

Lula diz que Trump não interferirá nas eleições brasileiras

“Eu não acredito que ele vá ter qualquer influência nas eleições brasileiras, até porque quem vota é o povo brasileiro. Eu acho que ele vai se comportar como presidente dos Estados Unidos, deixando que o povo brasileiro decida seu destino”, posicionou-se Lula. “A nossa relação é muito boa. Diria que uma relação que pouca gente que acreditava que pudesse acontecer com tanta rapidez. Aquele negócio da química”.

Questionado pela imprensa sobre um possível apoio oferecido pelo governo do republicano para a oposição brasileira nas eleições presidenciais previstas para outubro, Lula negou “qualquer possibilidade de tratar do assunto com qualquer presidente”.

“Esse é um assunto brasileiro. eles sabem disso. Eles também são presidentes. Eles também disputam eleições. Então o meu respeito ao presidente Trump é porque ele foi eleito pelo povo americano. E só pelo fato dele ter sido eleito pelo povo americano não cabe a mim questionar. Cabe a mim levar muito a sério que ele tem mandato do povo americano para ele ser presidente daquele país. E é assim que o Brasil trata ele, como tratamos qualquer outro presidente que foi eleito pelo povo”, disse.

Crime organizado e negociações sobre tarifaço

O presidente brasileiro também afirmou ter discutido “aqueles assuntos que pareciam tabus”, ao citar o crime organizado.

Antes de sua exposição, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, havia antecipado que ambas as lideranças haviam conversado sobre vários assuntos de interesse dos dois lados, dando ênfase ao comércio bilateral e à cooperação em crimes transnacionais, como o combate ao crime organizado.

“Tudo se desenvolveu em um clima amistoso em que dois chefes de Estado extrapolaram o tempo”, que inicialmente previa não passar muito mais de uma hora. A reunião, segundo o chanceler, assim como os ministros que participaram do encontro, foi “muito produtiva, boa e positiva”.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, informou aos jornalistas que ambas as nações concordaram um novo encontro – segundo Lula, por teleconferência por ser menos custoso – para negociar o fim do tarifaço norte-americano sobre produtos brasileiros como também o possível fim da Seção 301. De acordo com o mandatário, durante a reunião com Trump, houve muitas divergências por parte de ambas as equipes ministeriais, portanto sugeriu uma nova discussão após esse período. 

Terras raras e minerais críticos

A reunião também abordou uma parceria sobre minerais críticos e terras raras. Segundo o presidente Lula, o Brasil não tem preferência de países para fechar tais cooperações, e acrescentou que medida pode atrair negócios.

“Agora nós temos a obrigação de ter conhecimento de 100% e compartilhar com quem queira fazer investimento no Brasil. Nós não temos preferência. Quem quiser participar conosco para nos ajudar a fazer a mineração, a separação e a produzir as riquezas que essas terras raras nos oferecem está sendo convidado a ir ao Brasil, e isso é permitido pela regulamentação da lei aprovada ontem, que deve ser aprovada hoje no Senado”, sustentou.

Trump avalia reunião como ‘dinâmica’

Logo após a reunião com Lula, o presidente norte-americano Donald Trump publicou uma mensagem em suas redes sociais dizendo que se encontrou com o “dinâmico presidente do Brasil”.

“Discutimos diversos temas, incluindo comércio e mais especificamente as tarifas. A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave”, afirmou o mandatário norte-americano.

O republicano também afirmou que os representantes dos dois países presentes na reunião continuarão em contato, e que “outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”.

Delegações de Brasil e EUA

A delegação brasileira, liderada por Lula, esteve composta pelo chanceler Mauro Vieira e pelos ministros Dário Durigan (Fazenda), Wellington Silva (Justiça), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Márcio Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio).

Entre os anfitriões norte-americanos estavam, além de Trump, o vice-presidente JD Vance, o secretário de Tesouro, Scott Bessent, o secretário de comércio, Howard Lutnick, a chefe de gabinete do Trump, Susie Wiles, e o representante comercial Jamieson Greer.

A presença do ministro Durigan indica que as questões de comércio bilateral foram uma das pautas do encontro, incluindo tarifas impostas ao Brasil por parte dos Estados Unidos.

Aperto de mão entre Trump e Lula na Casa Branca
Ricardo Stuckert / Presidência da República

Já a participação dos ministros da Justiça e de Minas e Energia sugerem que também foram conversados temas relacionados à política de Segurança e de exploração de terras raras em território brasileiro.

Após a reunião, Lula e a delegação brasileira participaram de um almoço na Casa Branca, oferecido pelo anfitrião norte-americano.

O Itamaraty informou que o presidente brasileiro fará comentários sobre a reunião em uma coletiva que será realizada na Embaixada do Brasil em Washington, no final da tarde desta quinta.