Lula exige fim do bloqueio a Cuba, critica ameaças de Trump e insta ONU a quebrar silêncio
Sem citar homólogo dos EUA, presidente brasileiro reiterou que nenhum mandatário tem 'direito de impor regras' aos outros e criticou uso de plataformas digitais para declarar guerras
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva expressou neste sábado (18/04) preocupação referente à situação humanitária enfrentada pela população em Cuba e voltou a exigir o fim do bloqueio histórico dos Estados Unidos à ilha. A posição foi dada no âmbito da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, em Barcelona, na Espanha, onde diversos líderes progressistas se reúnem para debater alternativas contra a ascensão do extremismo de direita.
“Precisamos acabar com esse bloqueio a Cuba e deixar os cubanos viverem suas vidas. Não podemos ficar em silêncio diante disso”, declarou o chefe de Estado, apelando à comunidade internacional para quebrar o silêncio diante das medidas coercitivas de Washington.
Lula também se disse “muito preocupado” com Havana diante da ameaça de uma possível agressão militar conduzida pelo governo de Donald Trump, assim como a que ocorreu na Venezuela e, mais recentemente, no Irã. O mandatário, contudo, não mencionou diretamente seu homólogo norte-americano.
“Cuba tem problemas, mas é um problema dos cubanos, não para Lula, Claudia ou Trump. É um problema para o povo cubano”, enfatizou. “Nenhum presidente, de nenhum país, tem o direito de impor regras aos demais […] Não podemos acordar todas as manhãs e ir dormir à noite com um tweet de um chefe de Estado ameaçando o mundo ao declarar guerras”.
Em seu discurso, o presidente Lula também convocou o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) a organizar reuniões extraordinárias para lidar com as crises globais. O mandatário afirmou que a organização “não pode permanecer em silêncio” diante dos acontecimentos internacionais. “A ONU é um instrumento muito valioso se funcionar bem”, destacou.

Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva se diz ‘muito preocupado’ com a situação humanitária de Cuba em meio às ameaças de invasão de Trump
Ricardo Stuckert/PR
Em paralelo, presente no evento global, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, propôs uma declaração conjunta contra qualquer intervenção militar em território cubano. A mandatária enfatizou que o diálogo e a paz devem prevalecer como os únicos mecanismos para resolver disputas regionais, rejeitando o uso da força contra a soberania caribenha.
O fórum presidido pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, também contou com a presença de figuras-chave como os presidentes Gustavo Petro, da Colômbia, e Yamandú Orsi, do Uruguai. Os líderes concordaram com a urgência de fortalecer os valores democráticos diante da ascensão do autoritarismo e governos antidemocráticos que buscam desestabilizar governos progressistas.
A cúpula reafirmou o compromisso da Mobilização Progressista Global com a defesa da autodeterminação e do direito internacional. Os líderes concluíram que a estabilidade do século 21 depende de um sistema multilateral equitativo, onde o respeito mútuo substitui as agendas de dominação militar e econômica.
(*) Com Ansa e Telesur
























