Mauro Vieira defende reforma de instituições para frear crise do multilateralismo
Chanceler brasileiro participa do G7 na França e defende ampliação do Conselho de Segurança para incluir países da África e da América Latina
Em participação na cúpula do G7, na França, nesta quinta-feira (26/03), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, alertou para a “crise do multilateralismo” no mundo atualmente, diante da “maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra”. O chanceler ratificou ainda a postura do governo brasileiro em relação à necessidade de reformas e fortalecimento de instituições multilaterais.
O evento diplomático acontece em Abbaye de Vaux-de-Cernay, a 50 quilômetros de Paris, nesta quinta e sexta-feira (27/03), para discutir, entre outros assuntos, o conflito no Oriente Médio. Em seu discurso, Mauro Vieira chamou atenção para os desafios que a governança global enfrenta atualmente.
“Há anos ouvimos que o multilateralismo está em crise. Testemunhamos, ano após ano, a erosão das instituições que construímos desde 1945 para promover a cooperação e a confiança entre as nações. Abordagens fragmentadas ou unilaterais enfraquecem as instituições multilaterais, alimentando um crescente sentimento de frustração e desconfiança. Agora nos deparamos com as graves consequências de nossa incapacidade de abordar coletivamente essa tendência”, disse o chanceler.
Entre os conflitos travados no mundo atualmente, a guerra no Oriente Médio é uma das que têm gerado maior apreensão da comunidade internacional e desdobramentos, inclusive para países que não estão envolvidos diretamente. Uma dessas consequências é o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
Acompanhado pelo embaixador do Brasil na França, Ricardo Neiva Tavares, Mauro Vieira tratou de assuntos da agenda bilateral, em especial os relativos à cooperação transfronteiriça e à eliminação da exigência de vistos para brasileiros na Guiana Francesa. pic.twitter.com/XRKqPnEV9y
— Itamaraty Brasil 🇧🇷 (@ItamaratyGovBr) March 26, 2026
“A atração por soluções militares para problemas não resolvidos pela governança global está prejudicando gravemente nossa capacidade de proporcionar ordem, prosperidade e desenvolvimento sustentável”, avaliou Vieira em seu discurso.
O G7, que reúne as maiores potências economicamente desenvolvidas, acontece em formato ampliado, com a participação de outros países, há vários anos. Além do Brasil, os ministros das Relações Exteriores da Índia, Ucrânia, Arábia Saudita e Coreia do Sul foram convidados, assim como a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas.
“Único caminho a seguir”
Entre as possíveis soluções diante dessa crise, o ministro apontou para a “construção de um consenso mínimo dentro da comunidade internacional” como “indispensável”. Além disso, ele também reiterou a posição do governo brasileiro sobre reformas em instituições multilaterais e monetárias como a ONU, o FMI e o Banco Mundial, promovendo uma maior “representação” de países do Sul Global.
“O Brasil entende que a reforma de nossas instituições multilaterais é o único caminho a seguir. Devemos fortalecer, modernizar e tornar essas organizações mais inclusivas e representativas da realidade do mundo atual (…) Apoiamos uma reforma do Conselho de Segurança que atualize este órgão com as realidades e demandas do século XXI, ampliando sua composição para garantir a representação de países da África, da América Latina e do Caribe”, detalha o chanceler.
“Os mesmos princípios se aplicam à reforma do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, por exemplo, por meio do aumento da representação dos países em desenvolvimento e do incremento dos fundos disponíveis para o combate à pobreza e às mudanças climáticas”, acrescenta.
Por fim, voltando-se ao G7, o ministro brasileiro disse durante o discurso que os países membros do bloco “têm um papel fundamental” para frear a “erosão da governança global”.
“Três dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança pertencem a este grupo (…) Atualmente, estamos em uma encruzilhada entre a desordem global de proporções históricas e a governança global que protege os interesses comuns da humanidade. O Brasil fez sua escolha”, concluiu Mauro Vieira.
























