Na Índia, Lula diz que IA controlada por poucos é 'dominação' e não inovação
Presidente brasileiro afirmou que tecnologia não deve aprofundar as desigualdades, mas sim servir para reduzir a distância entre Norte e Sul global
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva denunciou nesta quinta-feira (19/02), durante a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial (IA), que a concentração de capacidade computacional e dados nas mãos de “alguns países e empresas” ameaça transformar a IA em um instrumento de dominação política e econômica.
“Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação. Os dados gerados pelos nossos cidadãos estão sendo apropriados sem um retorno equivalente em criação de valor nos nossos territórios”, declarou Lula da Silva aos chefes de Estado e de governo presentes no evento.
Em meio ao seu discurso na sessão plenária da AI Impact Summit 2026, realizada na capital indiana, Nova Delhi, o líder sul-americano afirmou que o modelo de negócios das grandes empresas de tecnologia depende da renúncia ao direito à privacidade e da monetização de conteúdo que amplifica a radicalização política.
Lula da Silva comparou o impacto da IA ao da energia atômica ou da engenharia genética, sublinhando sua natureza dual.
Presidente Lula participa da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificialhttps://t.co/RUjT8DaFM6
— Lula (@LulaOficial) February 19, 2026
“O regime de governança dessas tecnologias definirá quem participa, quem é explorado e quem será deixado de fora desse processo”, observou o líder brasileiro, que insistiu que os seres humanos sejam colocados no centro de toda decisão tecnológica.
Apesar de reconhecer seu potencial para a medicina e a produtividade, ele alertou que o conteúdo manipulado por IA está distorcendo os processos eleitorais e colocando em risco a estabilidade democrática global.
Diante desse cenário, Lula da Silva defendeu uma governança internacional liderada pela ONU, descrevendo-a como o único fórum com universalidade suficiente para garantir o desenvolvimento multilateral e inclusivo.
Lula destacou a participação do Brasil na iniciativa liderada pela China para criar uma Organização Internacional de Cooperação em IA voltada para países em desenvolvimento.
O presidente sul-americano insistiu que a IA não deve aprofundar as desigualdades, mas sim servir para reduzir a distância entre o Norte e o Sul globais.
Cooperação do Google no Brasil
A empresa de tecnologia Google quer estreitar sua cooperação com o Brasil, informou o presidente Lula da Silva após reunião com o principal executivo da multinacional americana, Sundar Pichai.
Em sua conta no x, Lula especificou que o encontro ocorreu a pedido de Pichai, à margem da cúpula mundial sobre inteligência artificial que estava sendo realizada na Índia.
“Pichai falou sobre a importância do Brasil para o Google, os investimentos da empresa no país, a inauguração do Centro de Engenharia em São Paulo e os projetos de infraestrutura e parcerias com o setor público […] O Google expressou seu compromisso em aprofundar sua parceria com o governo brasileiro e expandir suas ações com o setor privado no país”, tuitou Lula.
Mantive reunião hoje (19) com Sundar Pichai, CEO do Google, a seu pedido, durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial (IA), na Índia. Pichai falou da importância do Brasil para o Google, dos investimentos da empresa no país, da abertura do Centro de Engenharia em… pic.twitter.com/BmeJnbZy4B
— Lula (@LulaOficial) February 19, 2026
























