Quarta-feira, 5 de agosto de 2026
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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou em artigo publicado neste domingo (26/07) no jornal estadunidense The Washington Post que a “única guerra” que precisa ser travada “nesta parte do mundo é contra a fome, a pobreza e a desigualdade”.

A publicação ocorre em meio ao aumento da tensão entre os dois países. Neste mês, o governo do presidente Donald Trump ampliou as tarifas sobre produtos brasileiros, que passaram a variar entre 12,5% e 37,5%.

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Já no último sábado (25/07), veio a público através de reportagem do Washington Post a ameaça de intervenção dos Estados Unidos nas eleições brasileiras a partir da visita de dois enviados ao Brasil nesta semana. Os vistos da comitiva, no entanto, foram negados pelo Itamaraty.

Em alusão à taxação, o mandatário brasileiro ainda disse que “as únicas armas a empregar são as dos investimentos, da transferência de tecnologia e do comércio justo e equilibrado”.

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As novas alíquotas foram adotadas neste mês. A decisão de taxar o Brasil ocorreu após reuniões entre as equipes dos dois países e a apresentação de argumentos técnicos, além de documentos entregues diretamente por Lula ao mandatário norte-americano.

No texto, o presidente afirmou que a guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos é um “erro estratégico”. Lula ainda disse que a iniciativa da administração Trump tende a prejudicar a economia norte-americana no médio prazo.

O presidente argumenta que diversos setores da indústria estadunidense dependem de insumos brasileiros. Segundo Lula, o aumento das tarifas deve elevar o preço de produtos para os consumidores dos Estados Unidos, o que inclui alimentos, calçados, produtos da indústria têxtil, móveis e autopeças.

Lula também afirmou que os efeitos negativos tendem a se ampliar no médio prazo para além das fronteiras dos Estados Unidos, provocando mudanças nas cadeias globais de produção.

“No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros”, alertou o presidente.

Como exemplo, Lula afirma que as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram o menor patamar desde 1997 e cita dados segundo os quais, na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e o de 2026, o comércio bilateral caiu 12,8%, enquanto as trocas comerciais do Brasil cresceram com a União Europeia e com a China.

O presidente critica o uso da relação econômica entre os dois países para fins políticos e eleitorais. Sem citar diretamente a visita prevista de representantes do Departamento de Estado ao Brasil, ele afirma que a parceria bilateral não pode ser condicionada por “amarras ideológicas”.

“Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam”, alfinetou.

Na sequência, em alusão à tradição diplomática brasileira de priorização do diálogo e de construção de consensos, Lula identificou o momento inédito vivido na relação entre as duas nações.

“Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, escreveu.

Lula também afirma que as alegações de Donald Trump para justificar as tarifas são “infundadas”. No texto, ele defende a atuação brasileira na regulação das plataformas digitais, afirma que o Pix não discrimina empresas norte-americanas e destaca a redução do desmatamento desde 2023.

Lula criticou política de tarifaços de Trump
Ricardo Stuckert / Presidência da República

Elogios a Roosevelt e Bush

Ao tratar da relação histórica entre Brasil e Estados Unidos, o presidente afirma que, apesar das intervenções políticas e militares norte-americanas na América Latina, houve períodos de cooperação considerados positivos.

Ele cita a política da boa vizinhança, implementada pelo presidente Franklin D. Roosevelt, que, segundo Lula, contribuiu para os primeiros passos da industrialização do país.

George W. Bush também incluiu o Brasil e outros dois países latino-americanos na primeira reunião de líderes do G20 durante a crise financeira de 2008, o que ampliou a participação desses países nos espaços de articulação internacional.

Para Lula, esses episódios demonstram que Washington já foi capaz de atuar como um parceiro que respeita os interesses e soberania de outras nações. O presidente conclui afirmando que o Brasil permanece aberto ao diálogo, mas ressalta que as decisões sobre o país cabem exclusivamente aos brasileiros.

“Estamos prontos a continuar dialogando de maneira aberta e construtiva, como o relacionamento entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos requer. Mas o destino do Brasil compete apenas aos brasileiros, sem interferência externa, nem subserviência”, afirmou.