Novo vazamento revela que Eduardo Bolsonaro controlava recursos de filme sobre o pai
Deputado cassado assinou documentos como ‘produtor executivo’ do filme que recebeu R$ 134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por mega esquema de fraude
Um novo vazamento de documentos relacionados à produção do filme Dark Horse revela que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro teria atuado diretamente na gestão financeira do projeto, através de uma conta nos Estados Unidos que servia para captar os recursos destinados à obra.
A informação foi divulgada em uma nova reportagem do site The Intercept Brasil, que mostra provas documentais sobre a atuação de Eduardo, incluindo documentos assinados por ele como “produtor executivo” do filme.
Um dos documentos revelados pela reportagem é o contrato de produção do filme, que foi assinado digitalmente por Eduardo no dia 30 de janeiro de 2024 – outro político que assina o contrato como produtor executivo é deputado federal Mário Frias (PL-SP).
O documento também oficializou que a produtora do filme seria empresa GoUp Enterteinment, sediada nos Estados Unidos e cujos sócios são a brasileira Karina Ferreira da Gama e o brasileiro naturalizado norte-americano Michael Brian Davis.
Karina também é sócia do Instituto Conhecer Brasil, que recebeu cerca de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de internet gratuita em comunidades vulneráveis da capital paulista, contrato que foi concluído sem realizar as entregas previstas – o caso está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo desde março passado.
A revelação pode corroborar a nova linha de investigação do caso, anunciada pela Polícia Federal nesta quinta-feira, de que os valores pedidos por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro em meados de 2025 não teriam sido usados somente para a produção do filme Dark Horse como também para financiar gastos de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Vale lembrar que o caso veio à tona na quarta-feira (13/05) graças a outra reportagem do The Intercept Brasil, que revelou como Flávio negociou diretamente com Vorcaro o valor de R$ 134 milhões para a produção do filme, e que ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente depositados nas contas indicadas pelo senador carioca.
Ademais, Vorcaro está em prisão preventiva em Brasília desde o dia 4 de março, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras através do Banco Master, de sua propriedade.

Eduardo Bolsonaro seria produtor executivo do filme ‘Dark Horse’
Agência Câmara
Sobre ‘Dark Horse’
Os produtores de Dark Horse anunciaram o filme como uma cinebiografia de Jair Bolsonaro, com foco no episódio da facada, durante a campanha eleitoral de 2018, mas que também contaria episódios da sua vida pregressa, incluindo seus anos como deputado e um suposto envolvimento na repressão à luta armada durante a Ditadura Militar (1964-1985) – situação que não é historicamente comprovada.
A obra será estrelada pelo ator norte-americano Jim Caviezel (no papel de Jair Bolsonaro) e tem data de lançamento marcada para o próximo mês de setembro, poucas semanas antes do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil.
























