Polícia Federal barra deputado colombiano por antigo pertencimento às FARC
Luis Alberto Albán denuncia política de ‘estigmatização’ após ser impedido de entrar no país pelo Aeroporto de Guarulhos; parlamentar teve seu ingresso liberado durante a tarde
(Matéria atualizada às 13h50)
O colombiano Luis Alberto Albán Urbano, representante da Câmara dos Representantes e membro do Partido Comunes para o Valle del Cauca, foi impedido de entrar no Brasil no Aeroporto de Guarulhos, na madrugada desta quarta-feira (22/04).
Ex-membro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP), ele foi um dos negociadores do Acordo de Paz da organização com o governo colombiano durante a gestão de Juan Manuel Santos, em dezembro de 2016. Dois anos depois, ele ingressou ao Parlamento colombiano.
Albán chegou ao Brasil com o intuito de participar de uma reunião do Foro de São Paulo e do Congresso do Partido dos Trabalhadores que acontece em São Paulo, nesta quarta-feira (22/04). Ao passar pela imigração, por volta das 1h, ele foi comunicado que não poderia entrar no país.
A polícia do aeroporto alegou “prática de ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal” e “inclusão de nome em lista de restrições”. “Disseram que tenho um mandado de prisão por violar a Constituição brasileira e que estou em algumas listas, mas não tenho nada disso”, afirmou o representante da Comunes.
O parlamentar ficou retido por cerca de 12 horas. A reportagem de Opera Mundi recebeu, pouco depois de 13h30, a informação de que ele já estava no hotel.
Espera no aeroporto
Em seu relato sobre o período de retenção, Albán contou que não chegou a conversar com os policiais e sequer os viu.
“Isso foi feito por meio de uma funcionária da imigração a quem fui apresentar o passaporte para entrar. Ela me disse para esperar e depois voltou com um documento para eu assinar, afirmando que não sou admitido no Brasil e que eles comunicaram isso à companhia aérea para que me mandassem de volta no próximo voo”, recordou.
“Ela me pediu para assinar este documento e eu recusei porque seria como aceitar o que estava escrito. Eu não assinei. De qualquer forma, eles me entregaram à Avianca. Eu mostrei o documento de autorização para viajar, emitido pela Justiça Especial para a Paz, como a prova de que sou congressista, mas isso não valeu de nada”, afirmou.
Em seguida, Albán permaneceu aguardando no aeroporto. “Não é uma sala de detenção, nem nada”, contou, ao relatar que conseguiu que a Avianca não o colocasse no voo das seis horas rumo à Colômbia, mas sim no das 16h, para dar tempo aos esforços de sua entrada no país. Os Ministérios das Relações Exteriores de ambos os países foram acionados.

Ex-FARC e atual parlamentar colombiano denuncia ‘estereótipo’ ao ser barrado no Aeroporto de Guarulhos
@AlbanComunes
Estereótipos
“Fui convidado por essas duas organizações que têm um ótimo relacionamento com o governo [colombiano]. E agora o governo [brasileiro] não me deixa participar desses eventos”. Em sua avaliação, o episódio demonstra, no fim das contas, “o quão difícil é construir a paz”.
“É mais fácil colocar obstáculos no caminho. Isso faz parte de toda a estigmatização que recai sobre os signatários do Acordo. Nós continuamos com nossa vontade de avançar no cumprimento do acordo e essas dificuldades nos atrapalham, como neste caso, de participar de eventos políticos”, acrescentou.
Opera Mundi entrou em contato com a Polícia Federal, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno.
























