‘Pressão é fundamental’: líderes sindicais e parlamentares defendem fim da escala 6x1 em atos pelo 1º de Maio
Deputada federal Sâmia Bomfim denuncia que oposição quer ‘destruir completamente’ proposta; ao criticar ‘inimigos do Congresso’, Erika Hilton rejeita a ‘tão obsoleta’ jornada de trabalho no Brasil
Centrais sindicais e movimentos populares realizam atos em várias cidades brasileiras nesta sexta-feira que marca o 1º de Maio, com mobilização nacional em torno do fim da escala 6×1 e da redução da jornada sem corte de salários.
“Eu acredito que, através de mobilizações e jornadas de luta, nós vamos conseguir aprovar o fim da escala 6×1”, defendeu a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) a Opera Mundi.
A parlamentar reiterou que a reforma desejada é “sem transição, sem bolsa empresário, sem espaço para que façam uma manobra de uma minirreforma trabalhista, como os deputados do PL ou da extrema direita já estão dizendo publicamente”, explicou.
Bomfim aponta que os congressistas fingem que não se importam com a pressão popular, “mas eles se importam muito”. “É por isso que eu digo e repito: pressão, mobilização, campanhas e inserções na televisão e nas redes sociais são muito fundamentais”, acrescentou.
“Aliás, só não votaram contra a PEC na CCJ na última semana porque eles sabem que seriam extremamente cobrados. Eles simplesmente sumiram no dia, mas agora querem ganhar tempo, seja para não colocar sua digital, seja para atrasar a aprovação ou para destruir completamente a proposta inicial”, denunciou.

Manifestação de 1º de maio pede fim da escala 6×1 em São Paulo
Rocio Paik / Opera Mundi
O deputado estadual de São Paulo, Eduardo Suplicy (PT), também defendeu a importância dos trabalhadores reivindicarem um Brasil “mais justo, solidário, fraterno e sem a escala 6×1” neste 1º de maio.
“Com a aplicação da renda básica universal incondicional como um direito inalienável da pessoa de participar da riqueza comum da nação para tantas coisas que nós estamos aqui hoje na defesa dos direitos dos trabalhadores”, afirmou a Opera Mundi.
A mobilização ganhou força após o envio do Projeto de Lei 1.838 de 2026, que prevê o fim da escala 6×1, ao Congresso Nacional pelo presidente Lula (PT) em 14 de abril. A proposta tramita em regime de urgência e deve ser analisada em até 45 dias.
Na Câmara, o tema também aparece em propostas de emenda à Constituição. Uma delas reduz a jornada semanal de 44 para 36 horas ao longo de dez anos. Outra propõe a semana de quatro dias. Durante a tramitação, as propostas podem ser reunidas.
Projetos de lei em urgência precisam de maioria simples com quórum mínimo no Senado e 257 votos na Câmara. Já as propostas de emenda exigem 308 votos na Câmara e 49 no Senado e passam por mais etapas.
Neste cenário, a deputada federal Erika Hilton (PSOL) relembrou a Opera Mundi que “ano de eleição é ano de mudança”. “Fazer frente a esse Congresso inimigo do povo que quer votar anistia, dosimetria e PEC da bandidagem”, denunciou.
“Vamos acabar com a escala 6×1, o Brasil precisa dar fim a essa escala de trabalho tão obsoleta”, decretou Hilton.

Protesto de 1º de maio reforça democracia brasileira, ‘ditadura nunca mais’
Rocio Paik / Opera Mundi
Tarcísio impede manifestação na Paulista
As centrais Intersindical e CSP-Conlutas pediram autorização à Polícia Militar para realizar atos pelo fim da escala 6×1 na Avenida Paulista, em São Paulo, neste 1º de Maio, mas o pedido foi negado.
Dessa forma, os clássicos protestos de 1º de maio, que ocorreriam na principal avenida da capital, foram orientados a se realizar na Praça Roosevelt. A deputada Sâmia Bomfim observa a movimentação como “provocação” e que mostra que o governador Tarcísio de Freitas, por meio da corporação militar, “não está ao lado do trabalhador”.
Em comunicado, a PM afirmou que atuou de forma imparcial e seguiu o critério de antecedência, no qual o Patriotas do QG comunicou, ainda em 2024, a intenção de realizar a manifestação na avenida em 2026.
“Ele ignora a data do primeiro de maio, uma data histórica que mostra o nosso direito de existir e de ter direitos”, denunciou a parlamentar. “Apesar de ele querer se mostrar como moderado e democrático, foi extremamente autoritário e se colocou ao lado dos golpistas mais uma vez”, acrescentou.























