Renato Rabelo, dirigente histórico do PCdoB, morre aos 83 anos
Líder comunista dedicou vida à defesa do socialismo e da democracia; velório será no Palácio do Trabalhador, em São Paulo
O Brasil perdeu neste domingo (15/02) uma de suas grandes lideranças políticas. Renato Rabelo, dirigente histórico do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), faleceu vítima de um câncer, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
Presidente de honra e dirigente histórico do PCdoB, Rabelo presidiu a legenda comunista por mais de uma década, sendo responsável por seu “engrandecimento, respeitabilidade e força como organização protagonista na luta política nacional e internacional”, afirma o partido, em nota.
Ele deixa uma “rica produção política, teórica e ideológica, um magnífico exemplo de vida e de militância política”, acrescenta o texto.
Nas redes sociais, o presidente Lula emitiu seu pesar. “A democracia brasileira perdeu hoje um de seus maiores nomes, o meu querido companheiro Renato Rabelo”, afirmou. O presidente lembrou que juntos, eles trilharam alguns dos momentos mais importantes de nossa história: “estivemos juntos nas greves do ABC, nas Diretas Já e nas campanhas presidenciais que concorri”.
“A visão estratégica de Renato Rabelo e sua capacidade de reunir as forças políticas em prol da soberania e justiça social seguirão, sempre, ajudando a guiar o caminho daqueles que querem construir um Brasil melhor para todas e todos”, afirmou o presidente brasileiro.

Ministra Luciana Santos e Renato Rabelo durante o Congresso do PCdoB
@lucianasantos / X
Trajetória de luta
Baiano de Ubaíra (BA), Rabelo começou sua militância quando aluno da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), pela Juventude Universitária Católica (JUC). Ele integrou a Ação Popular (AP) e, em 1965, foi eleito presidente da União dos Estudantes da Bahia (UEB). Um ano depois, em plena ditadura militar, tornou-se vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Rabelo estudou na China por seis meses e, no retorno ao Brasil, participou da luta da AP contra a ditadura, em Goiás. Em 1973, entrou para o Comitê Central do PCdoB e, três anos depois, na mira dos militares, foi obrigado a se exilar. Ao voltar para o Brasil, em 1979, após assinatura da Lei da Anistia, ele integrou a luta pela redemocratização do país, promovendo a reorganização da legenda e atuando nas Diretas-Já, nos anos 80.
Seu papel, destaca o PCdoB, foi central para a reformulação política do partido, do qual Rabelo foi vice-presidente e assumiria o comando entre 2001 e 2015. Ele é um dos principais responsáveis pela integração da legenda na campanha vitoriosa do presidente Lula, em 2002.
Sob sua gestão, pela primeira vez em sua história, o PCdoB assumiu ministérios, secretarias e agências federais e conseguiu eleger dois senadores, um governador e 106 prefeitos. Rabelo esteve presente na articulação política durante os governos Lula e Dilma Rousseff.
Em 2013, Rabelo indicou a atual ministra Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) como sua sucessora à presidência do partido. Anos depois, em meio ao golpe contra a presidenta Dilma, Rabelo assumiu a presidência da Fundação Maurício Grabois, onde coordenou estudos e debates. Por conta dos problemas de saúde, ele se desligou do comando da instituição, tornando-se seu presidente de honra.
Em setembro de 2025, durante a 22ª Conferência Estadual do PCdoB-SP, ele enviou uma mensagem aos militantes comunistas, convocando-os a lutarem pelo socialismo como objetivo estratégico do partido. Sua vida e obra podem conferidas na biografia “Renato Rabelo – Vida, Ideias e Rumos”, do jornalista Osvaldo Bertolino.
























