‘Temos que chamar genocídio de genocídio’, diz embaixador palestino em Porto Alegre
Em fala a mais de mil pessoas, Marwan Jebril reforçou denúncias sobre ataques e situação humanitária na Palestina durante Conferência Antifascista
Um grupo folclórico de dança e música palestinas formado por professores e funcionários de escolas estaduais do Rio Grande do Sul abriu os trabalhos da tarde do terceiro dia da I Conferência Internacional Antifascista. No Salão de Atos, mais de mil pessoas acompanharam o painel “A Resistência Palestina ao Genocídio e à Opressão do Estado de Israel”, que contou com as participações de autoridades e jornalistas.
O embaixador da Palestina no Brasil, Marwan Jebril, abriu o evento recordando que há 50 anos a máquina de matar de Israel segue destruindo o povo palestino, afirmando que todos os dias há notícias de mortes de jovens que lutam pela soberania e autodeterminação do povo palestino.
“Muitos pensam que existe uma trégua, mas na Palestina não há paz. Temos que chamar genocídio de genocídio”, disse.
Breno Altman, fundador de Opera Mundi, foi um dos presentes na mesa e apontou o quanto o sionismo serve ao imperialismo norte-americano e a importância de derrotar a estratégia do sistema imperialista para todos os povos. “Neste momento, cada míssil iraniano vinga uma criança e uma mulher palestina. Cada míssil iraniano que atinge as Forças Armadas de Israel vinga os povos do mundo que devem ser sempre solidários à causa palestina”.
Segundo Altman, o campo progressista tem que “aplaudir com coragem a valentia do povo iraniano ao enfrentar os EUA e o regime sionista”.
“A questão da Palestina é a régua moral e geopolítica do mundo porque divide os bons dos maus, a parte sã e a parte doente da humanidade, e a consolidação do regime sionista é uma peça essencial da estratégia imperialista. O sionismo é uma invenção conjugada entre a burguesia judaica e o imperialismo e jamais teve outra intensão que não servir ao sistema imperialista e, se este cão de guarda for derrotado, a estratégia norte-americana para o Oriente Médio se despedaça e os povos do mundo terão um enorme avanço na luta pela sua emancipação. Por isso é importante a causa palestina. Não somete pelo caráter moral e humanitário, mas porque a vitória do povo palestino é a vitória de todos os povos contra o imperialismo e joga um papel fundamental na libertação também da América Latina”.
O jornalista destacou que temos muitos motivos para chorar os mortos mas, também, muitos motivos para celebrar pela enorme valentia do povo palestino, avaliando que o momento atual apresenta uma mensagem de esperança para todos os povos. “Entramos numa fase que é o início do fim do sionismo pela sua absoluta perda de legitimidade. Será uma luta ainda longa, mas ela vale a pena porque ela é fundamental para todos os povos que se erguem contra o imperialismo. Precisamos libertar os povos do mundo do fascismo e do imperialismo”.

Luta da Palestina e conflitos no Oriente Médio foram o destaque no terceiro dia da Conferência Antifascista, em Porto Alegre
Por sua vez, o presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, recordou que o genocídio em Gaza começou com os democratas no governo Biden e parabenizou a organização da Conferência.
“Preciso destacar a importância desta conferência, pois não lembro de ter visto uma atividade internacional com esta envergadura, com esta representatividade e capaz de iniciar, a partir do Brasil, o mais importante país do Ocidente, que tem o campo democrático e civilizatório mais importante do Ocidente, é aqui que começa a destruição do fascismo, aqui começa a libertação da Palestina, aqui começa o freio do totalitarismo. Isto não é pouca coisa”.
Rabah alertou sobre estratégias para a limpeza étnica e a violência extrema do modelo totalitário desenvolvido pelos EUA. “O que temos hoje é o maior extermínio de crianças da história. A limpeza étnica é o objetivo do imperialismo. Na Palestina, a principal vitória é a de que eles até hoje não atingiram o seu objetivo que é a limpeza étnica. Os EUA são a nova Alemanha nazista, o sionismo pode ser o novo nazismo sim, mas Israel não é nova Alemanha, os EUA sim. Este modelo totalitário precisa do máximo de violência e é o que estamos assistindo. O sionismo é a chaga deste século”.
Já a professora Muna Muhammad Odeh, do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), destacou o trabalho desenvolvido com estudantes refugiados da Palestina aqui para o Brasil e pesquisas que demonstram o apoio da sociedade de Israel ao massacre.
Thiago Ávila, da Global Sumud Flotilha, lembrou que Trump cometeu um deslize e precisou encarar um levante global até admitir que não poderia vencer aquela batalha e provocou questionamentos sobre o falso acordo de paz.
“Trump precisou rever sua fala anterior e se disse promotor da paz propondo um cessar-fogo a Netanyahu. A tática deles foi tentar impor um falso processo de paz. Se fosse em Nova Iorque, Whashington ou Paris, alguém diria que houve um cessar-fogo se em cinco meses fossem assassinadas mais de 150 pessoas por drones, por rifles e por tanques? Alguém diria que é um cessar-fogo se aquela cidade ou região de 300 km quadrados tivesse cercada por terra e por mar e apenas 200 caminhões de ajuda humanitária pudessem entrar por dia? Alguém chamaria de processo de paz se tivesse um falso conselho regido por bilionários que lucram com a guerra? Ninguém chamaria isso de cessar-fogo no norte global. A situação em Gaza está longe de ser resolvida embora tenhamos avanços na consciência global. Mas só isso não basta, precisamos impor estas derrotas a este sistema e que isso tenha consistência material no terreno como as ações do ano passado tiveram. Assim vemos que a mobilização é o único caminho”.
A primeira edição da Conferência Internacional Antifascista do Brasil ocorreu em Porto Alegre com mais de 120 pessoas, representando 90 organizações de 30 países. O encontro teve como intuito fortalecer a articulação global do campo progressista para enfrentar o avanço da extrema direita no mundo.
O evento acabe neste domingo (29/03) com debates e a Assembleia Geral e Aprovação da Carta de Porto Alegre. Veja a programação completa.
























