Durante o último dia da Cúpula do BRICS, neste sábado (12/09), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu que o bloco se posicione como bastião da “defesa do multilateralismo” e da “promoção dos interesses do Sul Global”.
“Em meio ao colapso da velha ordem, a voz do BRICS deve se elevar em defesa de um multilateralismo renovado e legítimo”, salientou o chanceler, que liderou a delegação brasileira no evento, em representação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em outro momento, Vieira referiu-se ao que considera “um realinhamento da ordem mundial” e afirmou que tal mudança será decisiva para enfrentar desafios como a crise climática e os conflitos armados em curso.
“O Brasil está convencido de que não podemos alcançar esses objetivos sem reformar a arquitetura da governança global, tendo o Sul Global como principal impulsionador desse processo”, ponderou.
Segundo o representante brasileiro, “a paralisia virtual do Conselho de Segurança está contribuindo para a erosão da arquitetura internacional de paz e segurança que, com todas as suas falhas, impediu que gerações sofressem com o flagelo da guerra”.
Diante dessa situação, o chanceler argumentou que o BRICS, “agora, como um grupo ampliado, deve corresponder ao seu maior peso com um senso de responsabilidade para atuar como uma força coesa em defesa dos interesses do Sul Global”.
“Um BRICS ampliado exige, mais do que nunca, um verdadeiro espírito coletivo e o compromisso com 20 anos de conquistas políticas e institucionais”, completou Vieira.
Ver esse post no Instagram
O presidente russo Vladimir Putin enfatizou, durante a cúpula do BRICS, que o sistema unipolar de relações internacionais está se tornando obsoleto e que o equilíbrio de poder está se deslocando para novos centros de crescimento no Sul Global e no Leste.
Para ele, a formação de um mundo multipolar entra em conflito com a resistência daqueles que continuam a pensar “em termos coloniais”, dividem o planeta entre “um jardim florido e uma selva selvagem” e pretendem viver à custa dos outros.
“Eles se recusam a aceitar a nova realidade e estão tentando, por todos os meios, conter o crescimento da concorrência”, declarou Putin, mencionando guerras tarifárias, sanções ilegítimas, ditadura econômica, chantagem, interferência em assuntos internos e uso da força como ferramentas para atingir esse objetivo.
O líder do Kremlin acrescentou que essas ações reacendem tensões, provocam novos conflitos e enfraquecem o sistema internacional, defendendo o fortalecimento do papel central da ONU e propondo “expandir seu Conselho de Segurança para ter maior representação da Ásia, África e América Latina”.
Putin denuncia que Occidente frena a los competidores en crecimiento pic.twitter.com/nO3KD0i6wd
— Errete en Español (@erreteespanol) September 12, 2026
A reunião deste sábado marcou o encerramento da Cúpula do BRICS na Índia, durante o qual foi divulgada a declaração final do evento, que enfatizou uma “profunda preocupação com a escalada contínua das tensões” no Oriente Médio, e pediu “máxima contenção” aos países do Ocidente.
O documento também faz um alerta aos “ataques deliberados à infraestrutura civil e, em particular, às instalações nucleares” entre países da região asiática.
Outro ponto destacado da declaração foi a posição do bloco em defesa da Palestina, com “firme oposição” ao deslocamento forçado da população e à “alteração da geografia”, fazendo alusão às medidas tomadas recentemente por Israel, que sugerem uma tentativa de anexação dos territórios.
Os países do BRICS também instaram o governo de Israel a interromper imediatamente as ações militares na Faixa de Gaza e os ataques de colonos na Cisjordânia, além de apoiar a presença da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA, na sigla em inglês) nos territórios e a adesão plena da Palestina à Organização das Nações Unidas (ONU).