Chanceler iraniano pede que BRICS condene 'violações' de Israel e EUA ao direito internacional
Guerra no Irã foi pauta da reunião do bloco nesta quinta (14), em Nova Délhi; diplomatas reúnem-se para preparar cúpula programada para setembro
Os ministros das Relações Exteriores dos países membros do BRICS participam nesta quinta e sexta-feira (15/05), em Nova Délhi, de uma reunião preparatória para a 18ª Cúpula de líderes do bloco, prevista para setembro no país.
A principal sessão do dia foi dedicada às “questões globais e regionais”, com foco na guerra no Irã e seus impactos sobre o comércio internacional, após o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde escoa cerca de um quinto do petróleo mundial.
Anfitrião do evento, o chanceler indiano Subrahmanyam Jaishankar destacou que “fluxos marítimos seguros e desimpedidos” em águas internacionais, incluindo o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, são “vitais para o bem-estar econômico global”. Ele também criticou as “medidas coercitivas unilaterais e sanções incompatíveis com o direito internacional e a Carta da ONU”.
Presente no encontro, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fez um apelo aos Estados membros do BRICS e a todos os membros responsáveis da comunidade internacional “para que condenem explicitamente as violações do direito internacional pelos Estados Unidos e por Israel”.
O Irã integra o BRICS ao lado de Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Juntos, os países representam quase metade da população mundial e cerca de 40% do PIB global.

Chanceleres do BRICS discutem guerra no Irã durante reunião na Índia
Mohammadhosein Moyahedinejat/Tasnim
Agressões ‘brutais e ilegais’
Segundo informações da Reuters, Abbas Araghchi lembrou que, em menos de um ano, Teerã sofreu duas agressões “brutais e ilegais” por parte dos Estados Unidos e de Israel. Ele frisou que os ataques foram justificados sob “alegações falsas” que contradizem as avaliações da Agência Internacional de Energia Atômica e da própria comunidade de inteligência norte-americana.
“A verdade é que o Irã – assim como muitas outras nações independentes – é vítima de expansionismo ilegal e belicismo. Essas são coisas deploráveis que não têm lugar no mundo de hoje”, complementou. Ele defendeu que o BRICS resista à “hegemonia ocidental e à sensação de impunidade a que os EUA acreditam ter direito”.
O chanceler iraniano também acusou os Emirados Árabes Unidos de participação militar nos ataques contra o Irã. “Eles permitiram que seu território fosse usado para disparar artilharia e equipamentos contra nós”, afirmou, ao pedir que o país reavalie sua “aliança com Israel”. “Sua aliança com os israelenses também não os protegeu. Reconsiderem sua política em relação ao Irã”, afirmou.
Brasil
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa do encontro preparatório da cúpula do BRICS. Ele chegou na quarta-feira (13/05) a Nova Délhi, onde se reuniu bilateralmente com o chanceler indiano, Subrahmanyam Jaishankar.
Segundo o Itamaraty, os dois discutiram temas econômicos e comerciais, além dos desafios políticos globais, incluindo a guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
























