China oferece aliança com Brasil em resposta a novo tarifaço dos EUA
Pequim argumenta que ‘não há vencedores em uma guerra tarifária’ e que país pretende ‘defender sistema multilateral de comércio’
Em declaração emitida nesta sexta-feira (17/07), o governo da China afirmou que está disposto a unir forças com o Brasil e outros países do Sul Global para enfrentar a política de agressões tarifárias impulsionada pelos Estados Unidos.
Segundo Lin Jian, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, o país está disposto a “incrementar o diálogo e trabalhar com o Brasil e outros países para salvaguardar conjuntamente o sistema multilateral de comércio, tendo a Organização Mundial do Comércio (OMC) como núcleo, e defender a justiça e a equidade internacionais”.
Lin enfatizou que a iniciativa está enfocada no caso do Brasil de forma momentânea devido ao tarifaço adicional de 25% anunciado nesta quarta-feira (15/07) pelo governo dos Estados Unidos contra uma lista de produtos brasileiros.
O porta-voz chinês afirmou que Pequim considera a medida norte-americana contra o Brasil como “lamentável” e acrescentou que “não há vencedores em uma guerra tarifária, porque são políticas que não servem aos interesses de ninguém”.
Reação do Brasil
Nesta quinta-feira (16/07), o chanceler brasileiro Mauro Vieira criticou o novo tarifaço norte-americano contra seu país, e salientou a exigência de Washington de que Brasília aceitasse uma “abertura total, irrestrita e exclusiva” de setores inteiros de sua economia para empresas dos Estados Unidos, situação que ele resumiu dizendo que “em outras palavras, exigiam a capitulação”.
Após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciar o encerramento da investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil, a Casa Branca informou que o governo norte-americano impôs tarifas adicionais de 25% sobre os produtos brasileiros.
Ao justificar a medida, o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse que a decisão busca “proteger os interesses econômicos do país e garantir condições justas de concorrência para empresas e trabalhadores norte-americanos”.
Segundo o governo de Donald Trump, as novas tarifas aos produtos brasileiros entrarão em vigor a partir da próxima quarta-feira (22/07).

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Lin Jian
Xinhua
Rebatendo Rubio
Horas depois, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, comentou a decisão e tentou atribuir a responsabilidade pelo tarifaço ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
“O presidente Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos de boa-fé”, afirmou Rubio, que completou dizendo que as políticas econômicas do Brasil seriam supostamente “ruins para os norte-americanos e ruins para os brasileiros”.
O chanceler brasileiro Mauro Vieira considerou as declarações do chefe da diplomacia norte-americana ‘inaceitáveis e ofensivas’.
“Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo (dos Estados Unidos)”, acrescentou Vieira.























