Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou nesta quinta-feira (04/12) em Nova Délhi e foi recebido pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Durante a abertura das negociações, Putin disse esperar um dia “frutífero” para tratar de “um grande número de documentos”, abrangendo defesa, tecnologia, aeronaves e exploração espacial. Os dois países divulgaram um comunicado conjunto anunciando que irão reformular seus laços de defesa para adequá-los ao esforço indiano de autossuficiência.

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“Em resposta às aspirações da Índia por autossuficiência, a parceria está sendo reorientada para pesquisa e desenvolvimento conjuntos, bem como para a produção de plataformas de defesa avançadas”, diz o texto.

É a primeira visita do líder russo ao país desde 2021, e ocorre em meio às sanções de Washington, que impôs uma tarifa de 50% sobre os produtos indianos, em retaliação à compra de petróleo russo pelo país.

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“É com grande prazer que dou as boas-vindas ao meu amigo, o Presidente Putin, à Índia. Aguardo com expectativa as nossas interações ainda hoje e amanhã. A amizade entre a Índia e a Rússia é uma relação de longa data que tem beneficiado enormemente os nossos povos”, escreveu Modi, nas redes sociais.

Petróleo

Segundo o governo Trump, a aquisição pela Índia estaria financiando a Guerra na Ucrânia. Modi rechaça a interferência na soberania do país e sustenta que as compras são guiadas exclusivamente por interesses nacionais.

Sobre o tema, Putin destacou, em entrevista à India Today: “aqueles que tomarem medidas para limitar a cooperação econômica de terceiros, mais cedo ou mais tarde, sofrerão perdas. E acredito que, uma vez que esse entendimento esteja plenamente estabelecido, essa prática de pressão externa desaparecerá”.

Putin e Modi reforçam parceria estratégica em Nova Délhi
@KremlinRussia_E

Os acordos

As negociações, informa a RT, concentram-se em quatro eixos principais: cooperação em defesa, colaboração espacial, aprofundamento dos laços econômicos e a meta de elevar o comércio bilateral a 100 bilhões de dólares.

No campo militar, a prioridade é a produção conjunta do caça de quinta geração Sukhoi Su-57, além da ampliação da transferência de tecnologia para plataformas aéreas, navais e de mísseis. Também foi ratificado um acordo para agilizar exercícios conjuntos, operações de resgate e esforços humanitários.

Como destaca The Guardian, há décadas, Moscou vem sendo o principal fornecedor de armas da Índia. Putin afirmou que pretende elevar o comércio bilateral para 75 bilhões de libras esterlinas até 2030, um fluxo hoje desequilibrado em favor da Rússia devido às volumosas importações indianas de energia.

“A Rússia é uma fornecedora confiável de petróleo, gás, carvão e tudo o que é necessário para o desenvolvimento energético da Índia”, declarou Putin. E acrescentou: “estamos prontos para continuar fornecendo combustível sem interrupções para a economia indiana, que está em rápido crescimento.”

Segundo o Kremlin, vários acordos destinados a ampliar a cooperação bilateral foram assinados, e os detalhes serão divulgados posteriormente. A forte ênfase energética reflete o papel central de Nova Délhi como um dos maiores compradores de petróleo russo desde 2022, mesmo sob sanções ocidentais.

No campo espacial, a parceria também avança, destaca a agência russa RT, que contará com sede em Nova Delhi. O primeiro vice-primeiro-ministro russo, Denis Manturov, afirmou que a Rússia “não tem limites” para compartilhar tecnologia espacial com a Índia.

Ele destacou que Moscou está pronta para fornecer uma ampla gama de equipamentos — de trajes espaciais a assentos especializados para voos tripulados — e lembrou que cosmonautas indianos já foram treinados na Rússia.

Manturov também enumerou áreas de cooperação, incluindo integração do sistema de navegação russo GLONASS ao indiano NavIC, coordenação de infraestrutura terrestre para satélites e até potenciais “expedições conjuntas” em missões tripuladas.

Segundo ele, a cooperação espacial deve estar acima das rivalidades geopolíticas, citando a continuidade das operações internacionais na Estação Espacial Internacional como exemplo.