Canadá e China negam acordo de livre comércio após ameaça tarifária de Trump
Premiê canadense, Mark Carney, explicou que negociações com Pequim abordam temas específicos após norte-americano mencionar taxas de 100% contra o país
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou neste domingo (25/01) que o país “não tem nenhuma intenção” de firmar um acordo de livre comércio com a China. A declaração foi dada à CBC News, após o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar impor tarifas de até 100% sobre os produtos canadenses caso Ottawa avance em um pacto de livre comércio com Pequim.
“O que fizemos com a China foi corrigir alguns problemas que surgiram nos últimos anos”, disse Carney, que esteve em Pequim na semana passada, entre 14 e 17 de janeiro. Ele explicou que as negociações envolveram temas específicos como veículos elétricos fabricados na China, produtos agrícolas e frutos do mar.
Carney reiterou que o Canadá respeita os compromissos assumidos no âmbito do Acordo Canadá–Estados Unidos–México (CUSMA). A cláusula do tratado obriga a consulta prévia entre os países no caso de acordos de livre comércio, sobretudo, em relação a economias consideradas sensíveis pelos demais, como o caso da China pelos Estados Unidos.
Ameaças de Trump
Desde seu contundente discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Carney está na mira do republicano que chegou a desconvidá-lo, na semana passada, de participar do seu “Conselho de Paz” para a reconstrução de Casa.
“Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”, postou o republicano nas redes sociais, no último sábado (23/01).

Carney e Xi Jinping se encontraram em Pequim na semana passada
Xie Huanchi/Xinhua
Reposta da China
O governo chinês também se manifestou após as bravatas de Donald Trump. “Os esforços empreendidos pela China e pelo Canadá para abordar adequadamente as questões comerciais bilaterais não são dirigidos contra terceiros”, disse, nesta segunda-feira (26/01), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun.
Guo ressaltou que Pequim defende que os países conduzam suas relações externas com base no “espírito de ganha-ganha e cooperação”, em oposição a uma lógica de “jogo de soma zero e confronto”.
Ele afirmou que os entendimentos recentes entre China e Canadá refletem “o espírito de parceria baseado na igualdade, abertura, paz, cooperação e ganha-ganha”.
O porta-voz chinês acrescentou que os acordos específicos firmados com o Canadá tratam de questões econômicas e comerciais bilaterais, estando alinhados com os interesses dos povos dos dois países, com “a paz e o desenvolvimento mundial”.























