Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse na segunda-feira (08/12) que o Japão está tentando ameaçar militarmente seu país ao adotar uma postura pró-independência de Taiwan, o que ele classificou como “completamente inaceitável”, informou a agência Xinhua.

Durante uma conversa com seu homólogo alemão, Johann Wadephul, Wang lembrou as muitas vezes em que o Japão reconheceu oficialmente que o território taiwanês pertence à China.

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Entre os documentos que ele mencionou estava a Declaração do Cairo, emitida em 1943, que estipulava que os territórios tomados por Tóquio, incluindo a ilha, deveriam ser devolvidos a Pequim. Ele também observou que essa declaração foi reafirmada em 1945 na Proclamação de Potsdam, cujos termos foram totalmente aceitos pelo então imperador japonês após sua rendição.

Além disso, ele enfatizou que o parecer jurídico oficial da ONU confirma a soberania chinesa sobre Taiwan, assim como a Declaração Conjunta Sino-Japonesa de 1972 e o Tratado de Paz e Amizade de 1978 entre as duas nações. A esse respeito, afirmou que “o status de Taiwan como território da China foi inequivocamente e irreversivelmente confirmado por uma série de fatos históricos e jurídicos irrefutáveis”.

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“É completamente inaceitável”

Após observar que este ano marca o 80º aniversário do fim da ocupação japonesa da China, Wang comentou que Tóquio deveria ter adotado uma postura mais ponderada e agido com maior cautela.

“No entanto, agora sua atual líder está tentando explorar a questão de Taiwan — o mesmo território que o Japão colonizou durante meio século, cometendo inúmeros crimes contra o povo chinês — para criar problemas e ameaçar militarmente a China. Isso é completamente inaceitável”, declarou ele.

'É completamente inaceitável', ministro das Relações Exteriores da China condena ameaça militar do Japão

‘É completamente inaceitável’, ministro das Relações Exteriores da China condena ameaça militar do Japão
Vice-Presidência da República (VPR) / wikimedia commons

O incidente com os radares

Seus comentários surgem após o Ministério da Defesa japonês ter anunciado, no último fim de semana, que caças chineses Shenyang J-15 alvejaram caças japoneses F-15 com seus radares de controle de tiro sobre águas internacionais a sudeste da ilha de Okinawa.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China rejeitou essas acusações como falsas e afirmou que o lado japonês pretende enganar a comunidade internacional, exagerando o incidente com o radar. Nesse sentido, o porta-voz afirmou que se trata de uma ação puramente maliciosa, à qual Pequim se opõe veementemente.

“Uma situação que ameaça a sobrevivência”

As tensões entre as duas nações aumentaram em novembro, depois que a nova primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou que Tóquio responderia com medidas caso Pequim enviasse forças militares para Taiwan, provocando uma série de críticas e advertências do gigante asiático, incluindo a imposição de sanções, a suspensão das relações econômicas, diplomáticas e militares e a restrição do comércio.

Takaichi tornou-se a primeira líder japonesa em décadas a associar publicamente uma potencial crise no Estreito de Taiwan ao eventual destacamento de tropas japonesas. Embora os primeiros-ministros japoneses tradicionalmente evitem discutir detalhes de potenciais conflitos sobre Taiwan e defendam a manutenção do status quo, Takaichi desviou-se dessa postura, argumentando que se tratava de “uma situação que ameaça a sobrevivência” de Tóquio.

Em resposta, a China acusou o Japão do “ressurgimento do pensamento militarista” e denunciou a possível revisão dos princípios sobre armas nucleares que estabelecem que Tóquio não possuirá, fabricará ou permitirá a introdução de armas atômicas em seu território.