Ex-executivo da Meta diz que Vale do Silício abraçou trumpismo por ‘razões egoístas’
Nick Clegg afirmou que empresas deixaram de priorizar ser humano e destacou dependência tecnológica gerada pela Palantir em seus clientes
O ex-vice-primeiro-ministro do Reino Unido e ex-chefe de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, afirmou, em entrevista ao podcast ‘The Rest is Money’, que as empresas do Vale do Silício adotaram posições alinhadas ao movimento trumpista Make America Great Again (MAGA).
O executivo foi contratado pela Meta em 2018 para administrar as consequências do escândalo da Cambridge Analytica e, ao longo de quase sete anos, supervisionou iniciativas de moderação de conteúdo e a criação de mecanismos independentes de supervisão das decisões da plataforma.
Segundo ele, diversas empresas de tecnologia passaram a abraçar a política Maga, e algumas delas fizeram essa escolha por razões “um pouco mais egoístas”.
Clegg observou que houve uma mudança significativa nos produtos oferecidos pelas plataformas digitais. “Mudaram completamente: de centrados no ser humano para muito mais sobre conteúdo, muitas vezes conteúdo sintético, recomendado algoritmicamente para você”.

Pavilhão da empresa Palantirno Fórum Econômico Mundial, em Davos
Cory Doctorow / Flickr
Palantir
Clegg também criticou a crescente dependência do setor público britânico da empresa de software norte-americana Palantir.
Na semana passada, um relatório do Comitê de Ciência, Inovação e Tecnologia do Parlamento britânico classificou a empresa de software e espionagem norte-americana, como o “exemplo mais preocupante da crescente dependência do setor público em um pequeno número de grandes fornecedores de tecnologia”.
O documento recomendou que o governo encerre seu contrato com a empresa em 2027, quando a cláusula de rescisão assim permitir. Segundo Clegg, as preocupações são legítimas.
Ele questionou o contrato do Reino Unido com a empresa, expressando aversão à ideologia da empresa afirmando que ela vem incutindo dependência tecnológica em seus clientes.
Em sua avaliação, a gigante tecnológica poderia ser facilmente “desestabilizada ou desafiada” por rivais impulsionados por inteligência artificial e até mesmo substituída por eles.
A empresa de Alex Karp oferece tecnologia de IA às operações militares de Washington e Tel Aviv e registrou ganhos superiores a R$ 4,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano.
























