IA cria vírus inédito e abre caminho para avanços médicos, mas desperta alerta sobre biossegurança
Apesar de promoter revolucionar terapias, Evo gera temor sobre uso malicioso na geração de novas doenças
Pesquisadores dos Estados Unidos conseguiram, pela primeira vez, usar inteligência artificial para projetar o genoma completo de um vírus.
O avanço, publicado na última quinta-feira (06/08) na revista científica Science, é considerado um marco para a biologia sintética.
A descoberta pode acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos contra infecções resistentes a antibióticos, embora também tenha levantado preocupações sobre riscos de biossegurança.
O estudo foi conduzido por cientistas do Arc Institute e da Universidade Stanford, que utilizaram um sistema de IA chamado Evo para criar vírus do tipo bacteriófago – organismos que infectam apenas bactérias e não representam risco para seres humanos.
Dos 302 genomas gerados pela inteligência artificial e posteriormente sintetizados em laboratório, 16 produziram vírus funcionais capazes de infectar e destruir bactérias Escherichia coli (E. coli).
O Evo opera de maneira semelhante aos grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT, mas, em vez de prever a sequência de palavras em um texto, aprende a identificar padrões nas sequências do DNA, compostas pelas bases A, C, G e T.
O resultado confirmou que os genomas desenhados artificialmente eram capazes de desempenhar todas as funções necessárias para a replicação viral.
Os cientistas avaliam que a técnica poderá acelerar o desenvolvimento de terapias baseadas em bacteriófagos, alternativa considerada promissora no combate a infecções causadas por bactérias resistentes aos antibióticos.
A expectativa é que a IA permita criar vírus sob medida para atacar microrganismos específicos, reduzindo o tempo necessário para desenvolver novos tratamentos.
Preocupações com biossegurança
Apesar do potencial, o estudo também intensificou o debate sobre os limites da biologia sintética.
Em comentário publicado junto ao artigo na Science, pesquisadores do Centro de Segurança da Saúde da Universidade Johns Hopkins afirmaram que a tecnologia levanta “questões urgentes” de biossegurança e bioproteção.
Para eles, o desafio passou a ser como impedir que essa capacidade seja utilizada para produzir agentes patogênicos perigosos. Os autores da pesquisa afirmam que adotaram medidas para minimizar esses riscos.
O treinamento do modelo excluiu vírus capazes de infectar organismos complexos, concentrou-se apenas em bacteriófagos e foi realizado em ambiente laboratorial com protocolos de segurança.























