Mark Zuckerberg admite que Instagram demorou a barrar usuários menores de idade
Justiça ouve CEO da Meta em tribunal que avalia se aplicativo foi projetado a viciar usuários jovens; menores de 13 são proibidos de cadastrar conta na rede social
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, lamentou nesta quarta-feira (18/02) a demora do Instagram em identificar de forma eficaz usuários menores de 13 anos, que, em teoria, estão proibidos de cadastrar uma conta na rede social.
Zuckerberg foi ouvido em um tribunal de Los Angeles, nos EUA, no âmbito de um processo movido contra a Meta e o Google. As empresas são acusadas de terem deliberadamente projetado, respectivamente, o Instagram e o YouTube de modo a torná-los viciantes para usuários jovens.
O Instagram, por exemplo, só passou a pedir a data de nascimento de novos usuários em 2019, antes de estender essa exigência a todos os perfis em 2021.
“Adicionamos novas ferramentas de detecção ao longo dos anos”, afirmou o cofundador do Facebook. No entanto, “acho que poderíamos ter chegado a esse ponto mais cedo”, admitiu.
Na semana passada, o chefe do Instagram, Adam Mosseri, também depôs no julgamento, rejeitando categoricamente a ideia de que redes sociais sejam viciantes.
“Tenho certeza de que já disse que estava viciado em uma série da Netflix quando maratonei até tarde da noite, mas não acho que isso seja a mesma coisa que dependência clínica”, afirmou Mosseri.
Durante a audiência, o advogado de acusação, Mark Lanier, apresentou um documento interno de 2018 que estimava que, em 2015, havia quatro milhões de contas do Instagram pertencentes a crianças com menos de 13 anos.
Na época, o Instagram calculava que 30% das crianças de 10 a 12 anos nos Estados Unidos estavam na plataforma.
Hoje, a rede social agora utiliza ferramentas de identificação que ajudam a verificar a idade de um usuário, principalmente com base no conteúdo publicado e nas interações.

CEO da Meta, Mark Zuckerberg depõe em um tribunal de Los Angeles, nos EUA
Wikimedia Commons/JD Lasica
E-mails internos exibidos no tribunal
Promotores apresentaram trocas de e-mails internos nas quais Mosseri defendia a decisão de Zuckerberg, em 2020, de permitir filtros de cirurgia estética no Instagram.
Outros executivos se opuseram fortemente, alertando para os efeitos prejudiciais dos filtros sobre meninas jovens. Defensores temiam perder participação de mercado diante da crescente concorrência do TikTok.
O tribunal também viu e-mails de 2014 e 2015 nos quais Zuckerberg expressava o objetivo explícito de aumentar, em porcentagens de dois dígitos, o tempo que os usuários passavam no aplicativo.
Caso será parâmetro para milhares de processos
O caso gira em torno de Kaley G. M., uma californiana de 20 anos que foi exposta, ainda muito jovem e de forma intensa, a vários sites, entre eles YouTube e Instagram. Ela afirma que os aplicativos alimentaram sua depressão e pensamentos suicidas.
TikTok e Snapchat também são alvo da ação, mas as duas plataformas já fecharam acordos de indenização com a autora.
Já Meta e Google negam as acusações. A empresa de Zuckerberg cita pesquisas da Academia Nacional de Ciências dos EUA, que, segundo a gigante de tecnologia, não encontraram evidências de que redes sociais afetem a saúde mental de crianças.
O julgamento é considerado parâmetro para resolver dezenas de ações semelhantes que tramitam atualmente nos Estados Unidos. Em sua maioria, os processos acusam as plataformas de facilitar o uso compulsivo de seus serviços, apesar de estarem cientes dos danos à saúde mental que eles podem causar às crianças.
O foco está no design dos aplicativos, seus algoritmos e recursos de personalização.
Em todo o mundo, os países estão cada vez mais proibindo o uso dos aplicativos por menores de 16 anos. O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, afirmou nesta quarta-feira que também estaria aberto a considerar uma proibição.
























