Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
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Há 8 dias a Pátria foi ultrajada, foi ultrajada a vida humana, nossa história, nosso céu, nossa terra e nossas capacidades defensivas militares.

Há 8 dias somos informados, a cada dia, sobre o desenvolvimento da estratégia mil vezes denunciada e documentada por gerações de venezuelanos e venezuelanas de esquerda e nacionalistas, tanto na academia quanto na política, de nos transformar em um protetorado estadunidense; comprovamos, mais uma vez, que o direito internacional não é respeitado e que a chamada comunidade internacional expia suas culpas, por ação ou omissão, com discretos ou efusivos comunicados – que importa, se são apenas saudações à bandeira.

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Por ora nos cabe a nós, sozinhos, à maioria dos venezuelanos e venezuelanas que sentem profundamente a nossa Pátria, elevar nosso olhar para o futuro e ter consciência de que se iniciou um caminho longo e complexo para lograr preservar nossa existência como República independente. Sim, essa República que ninguém nos presenteou, que sob a liderança de Bolívar nossos ancestrais conquistaram e nos legaram nos campos de batalha militar e também das ideias em toda a América do Sul.

Consciência da realidade que nos permita avançar em um amplo acordo nacional para preservar a República, para regular o conflito e restituir a tranquilidade e o bem-estar à família venezuelana. Não proponho isso agora, após a madrugada infame de estrondos e dor; tenho dito isto em público e em privado durante os últimos anos e com especial ênfase nos últimos meses, no contexto do cerco naval e aéreo ilegal que precedeu o ataque militar, e que ainda persiste.

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Hoje mais do que nunca é necessário evitar que um povo angustiado e com necessidade de superar as dificuldades econômicas e sociais atuais, se entregue ao pragmatismo, ao “tanto faz”, em busca de melhores condições de vida.

Nicolas Maduro / Telegram

O legado de Bolívar na encruzilhada: preservar a República conquistada nos campos de batalha e das ideias
Nicolas Maduro / Telegram

Todos os fatores políticos, todos os que vivem em nosso país, devemos contribuir para uma saída estratégica soberana que satisfaça a necessidade imediata da maioria, sem renunciar aos alicerces da República.

Esses alicerces da República são a soberania territorial, a unidade e a integridade de nosso território e sua infraestrutura; a soberania econômica, a propriedade nacional sobre os recursos naturais na superfície e os que subsistem em nosso solo, base para um desenvolvimento ambientalmente sustentável, com disposição para a participação transparente e legal de investidores nacionais e internacionais em sua produção, que gere renda nacional justa; e a soberania política, o direito conquistado de nos dar nossa própria forma de governo em eleições diretas, secretas e universais, quando assim for devido, e com isso preservar a forma de Estado democrático, social, de direito e de justiça que temos conquistado ao longo de nossa história republicana.

Enquanto isso, o Estado venezuelano deve deixar estabelecidos precedentes jurídicos de cada coação da qual seja alvo por parte do agressor que pretende tutelar-nos, a partir de sua superioridade tecnológico-militar.

Embora seja verdade que o sistema de direito internacional é ineficaz atualmente, ele não deixou de existir, e no futuro poderá nos servir para reverter medidas opressoras que possam nos ser impostas pela lei do mais forte que hoje impera.

Não é por covardia que a imensa maioria dos venezuelanos e venezuelanas exigimos o direito de viver em paz, mas porque temos a consciência de nos preservarmos como nação para lavar esta afronta e elevar-nos para o futuro. Nem uma gota de sangue a mais para o agressor. Não renunciamos ao nosso direito de defender nosso país, mas devemos tentar evitar a destruição total, pois apenas começa uma longa luta política, diplomática e moral para seguir tendo Pátria.

Toda a liderança política deve agir com responsabilidade, com realismo, com transparência, com abertura, com humanidade, para salvaguardar a vida do povo e a dignidade nacional. A alma nacional está ferida, mas não dobrada. Viva a Venezuela.