Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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Movimentos populares rechaçaram os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela na madrugada deste sábado (03/01) e convocaram manifestações em frente às embaixadas estadunidenses contra a ofensiva. De acordo com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores é desconhecido. “Exigimos uma prova de vida imediata do presidente Nicolás Maduro e da primeira combatente Cilia Flores”, disse Rodríguez, em um áudio exibido pela TV estatal. 

A Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba) repudiou o que chamou de “gravíssima agressão militar” contra o país. Para a organização, a ofensiva constitui uma violação da Carta das Nações Unidas e ameaça a estabilidade da América Latina e do Caribe.

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Segundo a Alba, o objetivo central da ação seria o controle dos recursos estratégicos venezuelanos, especialmente petróleo e ouro, “por meio de uma lógica colonial de guerra, intervenção e mudança de regime”.

A organização convocou manifestações e a condenação pública do ataque militar. “Convocamos os governos democráticos e comprometidos com a paz da região a rejeitar essa barbárie sem tibiezas, a se pronunciar com clareza e a defender o direito dos povos de viver sem guerras nem agressões imperialistas”, destacou em nota.

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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirmou que o ataque representa o ponto máximo de uma série de agressões à soberania da Venezuela. Para a organização, trata-se de uma ação de guerra com interesses coloniais, voltada ao controle dos recursos naturais do país vizinho.

“O objetivo deste ataque não é outro senão confiscar os recursos estratégicos da Venezuela, especialmente o seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação”, disse o movimento, em nota divulgada neste sábado. O MST também denunciou o sequestro de Maduro e afirmou que estudantes e dirigentes da organização que estão na Venezuela estão em segurança.

A organização chamou a comunidade internacional à mobilização contra o ataque: “Convocamos todas as organizações populares do Brasil e do mundo a se somarem em solidariedade à Venezuela. Nossas irmãs e irmãos daquele país necessitam do apoio do povo brasileiro”.

Do Brasil, João Paulo Rodrigues, da Secretaria Nacional do MST, afirmou que o movimento mantém no país uma brigada com cerca de 60 integrantes e reforçou o pedido de cautela com a circulação de notícias falsas. “É importante evitar alarmismos e ter cuidado com conteúdos não verificados”, afirmou.

Movimentos populares rechaçaram os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela
Wikimedia Commons/Johanna Itriago

Outras organizações se pronunciam

O Movimento Brasil Popular declarou que o episódio representa uma ameaça à paz e à soberania regional. Em nota, afirmou que os ataques fazem parte de uma ofensiva imperialista que busca saquear as riquezas do povo venezuelano.

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) também condenou a ofensiva e classificou os atos como terrorismo internacional. Segundo o partido, é urgente que governos soberanos, movimentos populares e organizações políticas promovam mobilizações para impedir a escalada da agressão.

Mais cedo, o governo venezuelano divulgou comunicado oficial no qual rejeita “a grave agressão militar perpetrada pelo atual governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana”. Segundo o texto, os ataques afetaram bases militares, aeroportos, instalações civis e a estrutura elétrica do país.

Lula afirma que ação ameaça estabilidade regional e viola o direito internacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também se pronunciou neste sábado e condenou os ataques dos Estados Unidos ao território venezuelano. Segundo ele, a ofensiva representa uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela” e um “precedente extremamente perigoso” para a comunidade internacional.

“Esses atos lembram os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”, declarou Lula. Para o presidente, atacar países em flagrante violação do direito internacional é o primeiro passo para “um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.

Lula reforçou que a condenação ao uso da força é compatível com a posição que o Brasil tem adotado em outros conflitos recentes. Ele defendeu ainda uma resposta contundente da Organização das Nações Unidas (ONU) e colocou o Brasil à disposição para promover o diálogo e a cooperação internacional.