Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, denunciou nesta quinta-feira (25/12) que as ações promovidas pelos Estados Unidos no Caribe constituem um “caos jurídico” e contrariam o direito internacional, ao intensificar a presença militar norte-americana em torno da Venezuela e implementar um bloqueio naval de fato.

Reafirmamos nosso apoio aos esforços do Governo de Nicolás Maduro para proteger sua soberania e seus interesses nacionais e para manter o desenvolvimento estável e seguro do país”, declarou a diplomata, em nome da Federação Russa.

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Zakharova destacou que a ação dos Estados Unidos viola os princípios da Carta da ONU e da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, afetando a liberdade de navegação e a soberania do país sul-americano.

“Estamos testemunhando o ressurgimento da pirataria, dos ataques e da apropriação de bens estrangeiros em águas internacionais”, afirmou Zakharova, descrevendo a situação como uma ameaça direta à ordem jurídica global. Moscou, observou ela, mantém uma posição favorável à distensão, à diplomacia e à estabilidade regional; e alerta que uma escalada militar poderá afetar toda a América Latina.

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A porta-voz afirmou que o governo russo espera que Donald Trump opte por uma solução legal antes de agravar o conflito. “É importante evitar um cenário destrutivo. Confiamos que o pragmatismo do presidente norte-americano permitirá que soluções sejam encontradas dentro da estrutura do direito internacional”, afirmou.

‘América Latina deve ser uma zona de paz’, afirma Moscou
Reprodução / Brics.ru

Conselho de Segurança

As declarações de Moscou surgem após a sessão do Conselho de Segurança da ONU, realizada na última terça-feira (23/12), para discutir o aumento da presença militar dos Estados Unidos no Caribe.

Zakharova observou que “a esmagadora maioria dos países condenou a natureza unilateral das restrições, que violam gravemente o direito internacional, os princípios e as normas vigentes, nomeadamente a igualdade soberana dos Estados, a não interferência nos assuntos internos, a liberdade de navegação e os direitos econômicos”.

“A América Latina e o Caribe devem permanecer uma zona de paz, conforme proclamado em 2014. Um ataque à Venezuela seria um ataque à estabilidade regional”, reiterou ao alertar para os efeitos geopolíticos que tal intervenção teria em todo o continente.

Atualmente, Washington mantém um grupo de ataque naval destacado, liderado pelo porta-aviões USS Gerald R. Ford, acompanhado por um submarino nuclear e mais de 16.000 militares. Desde setembro, as forças americanas afundaram embarcações civis, causando dezenas de mortes, além de manter o fechamento do espaço aéreo venezuelano e o bloqueio de petroleiros venezuelanos.

Moscou advertiu que uma ofensiva direta sob o pretexto de “combater o narcotráfico” constituiria uma grave violação do direito internacional, com risco de desestabilização continental. A Rússia insiste que a única solução viável é o diálogo sob supervisão internacional, instando Washington a retirar suas forças do Caribe, cessar a intimidação militar e retornar ao quadro diplomático como ferramenta para a resolução de disputas.

Moscou enfatizou, ainda, que a região está em um momento crítico: “cruzar a linha vermelha teria um impacto imediato em toda a América Latina e no Caribe”.