Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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A reação das mais recentes nações ameaçadas pelo governo dos Estados Unidos, que incluem Colômbia, México, Cuba e Groenlândia, demonstrou que “na política, [Donald] Trump não tem uma vida fácil”, de acordo com um artigo publicado pelo jornal argentino Página 12, assinado por Felipe Yapur. 

O texto citou a resposta dada pela presidente Claudia Sheinbaum ao magnata, no contexto da invasão e agressão ilegais de Washington contra a Venezuela, que afirmou que “apenas os povos podem construir seu próprio futuro, decidir seu caminho, exercer soberania sobre seus recursos naturais e definir livremente sua forma de governo”. Por sua vez, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Nielsen, pediu ao norte-americano que acabasse com suas “fantasias sobre anexação”. No caso colombiano, o mandatário Gustavo Petro, ex-membro do grupo guerrilheiro M-19, retaliou cogitando, “pela Pátria”, voltar a “pegar em armas que não quero”.

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“Até mesmo [Nicolás] Maduro, que esperavam ver rendido e entregue após o sequestro, apareceu diante do juiz norte-americano e disse que ele era ‘um prisioneiro de guerra’. Uma definição política que surpreendeu os cronistas que testemunharam a audiência judicial”, escreveu Yapur.

Ao mencionar “o ataque sangrento e violento” à Venezuela, que resultou no sequestro de Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, além de quase cem mortos, o artigo destacou que o poder militar norte-americano é usado à favor do projeto nacional. 

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“Agora, sem mais delongas, ele adicionou Colômbia, México e Groenlândia à lista de objetivos a conquistar. O argumento à favor dos dois primeiros é semelhante ao tráfico de drogas na Venezuela. O terceiro, por outro lado, adicionou a segurança nacional porque, segundo ele, há grande presença de navios russos e chineses na área ártica. Por fim, ele adicionou Cuba a esse elenco”, disse, acrescentando, contudo, que “as vozes de rejeição não demoraram a chegar”. 

O texto também citou a sessão emergencial convocada na segunda-feira (05/01), na Somália, a respeito do ataque norte-americano à Venezuela. Nele, disse que “o único que acariciou descaradamente a orelha norte-americana foi o representante argentino”.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ameaça outros países após atacar ilegalmente a Venezuela
The White House/Daniel Torok

Reações contra ameaças de Trump

Durante uma conversa com a imprensa, Donald Trump acusou seu homólogo colombiano, sem provas, de estar ligado ao tráfico de drogas e considerou que uma invasão daquele país “soa bem” para ele. Antes da declaração, o republicano já havia instado Petro a “tomar cuidado” porque, segundo ele, “ele tem fábricas onde se produz cocaína.”

“Um homem que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos, e não vai fazer isso por muito tempo”, ameaçou o norte-americano. 

“Nem Trump nem jornalistas se lembraram das bases militares dos EUA na Colômbia e muito menos da presença da DEA naquele país por décadas, sempre acusados de cumplicidade com os cartéis no tráfico de cocaína para os Estados Unidos, o principal consumidor do mundo”, ressaltou o artigo.

Petro, por sua vez, respondeu às acusações infundadas afirmando ter ordenado a “maior apreensão de cocaína da história do mundo” e interrompido o “crescimento das plantações de folhas de coca”. Outra medida adotada permitiu a substituição de 30.000 hectares de coca.

“Milhares de guerrilheiros vão se reunir nas montanhas. E se prenderem o presidente, que boa parte do meu povo ama e respeita, vão soltar a popular onça”, afirmou.

Trump também disse que “algo precisa ser feito com o México”, alegando que “(narcóticos) estão sendo vazados de lá”. “E vamos ter que fazer algo. Adoraríamos que o México fizesse isso. Eles são capazes de fazer isso, mas infelizmente, os cartéis são muito fortes”, disse, novamente, sem provas. Afirmou também que Sheinbaum tem “um pouco de medo dos cartéis que controlam o México”. A mandatária, em uma de suas coletivas matinais, rejeitou categoricamente qualquer forma de intervenção estrangeira e reafirmou que a soberania e a autodeterminação dos povos “não são opcionais nem negociáveis”.

“O México sustenta com convicção que a América não pertence a uma doutrina ou a um poder. O continente americano pertence aos povos de cada um dos países que o compõem (…) Essa é a visão que defendemos e continuaremos a defender: integração econômica do continente e cooperação com respeito à soberania”, respondeu.

Sobre Cuba, Trump alegou que a ilha “está prestes a cair”, avaliando que ela “sempre sobreviveu graças à Venezuela” e, portanto, não receberia mais dinheiro do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Entretanto, vale lembrar que a sigla continua governando a Venezuela. 

Em outro momento, o republicano disse que a anexação da Groenlândia é uma questão de segurança interna, acusando o suposto estacionamento de navios russos e chineses perto da ilha. “É por isso que precisamos disso. E a Dinamarca não vai conseguir fazer isso, eu garanto”, acrescentou. 

O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, rebateu dizendo que a “retórica imediata e repetida” de Trump e seus ministros sobre a Groenlândia é “absolutamente inaceitável.” 

“Chega de insinuações. Chega de fantasias sobre anexação”, escreveu em redes sociais.