Breno Altman: ‘chavismo continua governando a Venezuela’
Jornalista ressalta que agressão dos EUA e sequestro de Maduro não representam a queda do governo venezuelano: 'estrutura continua intacta'
A agressão militar e ilegal dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro juntamente com a sua esposa, Cilia Flores, na madrugada de sábado (03/01), não representa a queda do chavismo, reiterou o fundador de Opera Mundi, Breno Altman. Em seu programa de análise veiculado neste domingo (04/01), o jornalista destacou que “a estrutura do governo continua intacta”, mencionando a atuação da presidente interina Delcy Rodríguez, do ministro do Interior, Diosdado Cabello, e do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López.
“Todos os três têm repetido o mantra de que o único presidente do país é Nicolás Maduro e que a Venezuela não se curvará às pressões norte-americanas”, afirmou.
Durante a sua exposição, Altman apontou que as operações militares mobilizadas por Washington desde setembro passado fazem parte da chamada “Doutrina Donroe” – uma adaptação da Doutrina Monroe por Trump, que visa “expurgar a influência de China e Rússia na América Latina” e garantir o estabelecimento de regimes fantoches na região.
De acordo com ele, a Venezuela foi alvo prioritário dessa agenda por três razões: sua construção de um Estado soberano frente aos Estados Unidos, suas riquezas naturais – em especial, o petróleo – e sua aliança estratégica com China, Rússia e Irã.
Sem indícios de traição
Com base em fontes venezuelanas, Altman negou qualquer indício de traição no alto escalão chavista ou de um “acordo” consolidado para entregar Maduro às forças norte-americanas, argumentando que essa teoria conspiratória é incompatível com as dezenas de mortes registradas na ofensiva de sábado, a unidade do governo venezuelano e a postura atual de manter Maduro no cargo como presidente legítimo.
Por outro lado, admitiu a hipótese de uma possível infiltração ou suborno de indivíduos na segurança presidencial, algo que está sendo investigado internamente.
O jornalista também reconheceu que os Estados Unidos venceram uma batalha tática, mas alertou contra o derrotismo. “Considerar que isso já representa a derrota do chavismo é um erro de análise”. Para ele, a Casa Branca tem uma “batata quente” nas mãos, sem um ator representativo para impor um governo fantoche na Venezuela.
Em sua análise, aponta que o objetivo de Trump seria forçar a aplicação de um artigo constitucional que declare a vacância do cargo e convoque, assim, novas eleições – algo que o governo venezuelano está bloqueando ao manter Maduro como presidente legítimo da nação.
Mudança de postura do Brasil
Apesar de criticar a postura adotada pelo governo brasileiro desde julho de 2024, que não reconheceu os resultados das eleições venezuelanas daquele ano, validadas pela Suprema Corte local, e vetou a entrada do país no BRICS, Altman elogiou a mudança de rumo após a agressão deflagrada pelos Estados Unidos.
O jornalista mencionou a declaração emitida pelo Itamaraty no sábado – embora passível de críticas por sua linguagem ao adotar o uso de termos como “captura” em vez de “sequestro” e não nomear diretamente os Estados Unidos como agressores – e avaliou como positiva. Segundo ele, o comunicado condenou a ação perpetrada por Washington e reconheceu a ruptura de uma “linha vermelha”, permitindo que as nações de esquerda da América Latina unifiquem uma resposta combativa contra a ação imperialista,
Assista ao programa na íntegra:























