Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
APOIE
Menu

A agressão militar e ilegal dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro juntamente com a sua esposa, Cilia Flores, na madrugada de sábado (03/01), não representa a queda do chavismo, reiterou o fundador de Opera Mundi, Breno Altman. Em seu programa de análise veiculado neste domingo (04/01), o jornalista destacou que “a estrutura do governo continua intacta”, mencionando a atuação da presidente interina Delcy Rodríguez, do ministro do Interior, Diosdado Cabello, e do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López.

“Todos os três têm repetido o mantra de que o único presidente do país é Nicolás Maduro e que a Venezuela não se curvará às pressões norte-americanas”, afirmou.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Durante a sua exposição, Altman apontou que as operações militares mobilizadas por Washington desde setembro passado fazem parte da chamada “Doutrina Donroe” – uma adaptação da Doutrina Monroe por Trump, que visa “expurgar a influência de China e Rússia na América Latina” e garantir o estabelecimento de regimes fantoches na região.

De acordo com ele, a Venezuela foi alvo prioritário dessa agenda por três razões: sua construção de um Estado soberano frente aos Estados Unidos, suas riquezas naturais – em especial, o petróleo – e sua aliança estratégica com China, Rússia e Irã.

Mais lidas

Sem indícios de traição

Com base em fontes venezuelanas, Altman negou qualquer indício de traição no alto escalão chavista ou de um “acordo” consolidado para entregar Maduro às forças norte-americanas, argumentando que essa teoria conspiratória é incompatível com as dezenas de mortes registradas na ofensiva de sábado, a unidade do governo venezuelano e a postura atual de manter Maduro no cargo como presidente legítimo.

Por outro lado, admitiu a hipótese de uma possível infiltração ou suborno de indivíduos na segurança presidencial, algo que está sendo investigado internamente.

O jornalista também reconheceu que os Estados Unidos venceram uma batalha tática, mas alertou contra o derrotismo. “Considerar que isso já representa a derrota do chavismo é um erro de análise”. Para ele, a Casa Branca tem uma “batata quente” nas mãos, sem um ator representativo para impor um governo fantoche na Venezuela.

Em sua análise, aponta que o objetivo de Trump seria forçar a aplicação de um artigo constitucional que declare a vacância do cargo e convoque, assim, novas eleições – algo que o governo venezuelano está bloqueando ao manter Maduro como presidente legítimo da nação. 

Mudança de postura do Brasil

Apesar de criticar a postura adotada pelo governo brasileiro desde julho de 2024, que não reconheceu os resultados das eleições venezuelanas daquele ano, validadas pela Suprema Corte local, e vetou a entrada do país no BRICS, Altman elogiou a mudança de rumo após a agressão deflagrada pelos Estados Unidos.

O jornalista mencionou a declaração emitida pelo Itamaraty no sábado – embora passível de críticas por sua linguagem ao adotar o uso de termos como “captura” em vez de “sequestro” e não nomear diretamente os Estados Unidos como agressores – e avaliou como positiva. Segundo ele, o comunicado condenou a ação perpetrada por Washington e reconheceu a ruptura de uma “linha vermelha”, permitindo que as nações de esquerda da América Latina unifiquem uma resposta combativa contra a ação imperialista,

Assista ao programa na íntegra: