Breno Altman rebate boatos de traição contra Nicolas Maduro
Jornalista analisa situação política na Venezuela, a estratégia de Washington para a América Latina, o papel decisivo do petróleo e o futuro do imperialismo
Em meio à turbulenta onda de desinformação que assola as redes sociais, o jornalista Breno Altman, fundador de Opera Mundi, rechaçou os boatos em torno de uma suposta traição do alto escalão do governo venezuelano, durante a captura do presidente Nicolás Maduro, no último sábado (03/01).
Diferenciando traição política, o que envolveria membros do alto escalão, de uma possível traição operacional, por agentes infiltrados no círculo de segurança de Maduro, Altman garantiu não ter receios de afirmar que “não existiu traição política”.
Ele relatou que conversou com uma série de lideranças, incluindo a presidente interina, Delcy Rodríguez, jornalistas, membros e ex-membros do governo. “Não há qualquer indício de traição política, pelo contrário, todos os gestos de Delcy Rodríguez estão alinhados à liderança e à imagem de Nicolás Maduro”, afirmou.
Altman mencionou que Maduro não deixou de ser considerado o presidente do país, frustrando a expectativa do mandatário norte-americano, Donald Trump, na medida em que a vacância do cargo poderia ter levado à substituição do governo chavista, o que foi negado pelo Parlamento e pelo Supremo Tribunal de Justiça do país.
Boataria só serve a Trump
Em sua avaliação, “a boataria sobre traição política é estimulada por Donald Trump” que precisa desgastar o governo chavista, e conta com os meios de comunicação para isso. “A difusão de boatos sobre acordos é uma arma de Donald Trump. É o seu truque oculto”, reiterou.
“Apesar de desferir um golpe muito duro no país, Trump não consegue construir dentro da Venezuela uma alternativa de poder, um novo governo para substituir o chavismo”, afirmou, ao citar o descarte de Maria Corina Machado, líder dos setor golpista da oposição no país.
Ele também destacou as pressões da administração venezuelana pela libertação de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores; e analisou as ações em curso pelo governo interino, incluindo questões como petróleo e mobilização, além do apoio internacional ao país.
Experiência democrática
Altman também comentou os vários golpes da oposição, em particular, durante a reeleição de Maduro, que ele acompanhou no país, em 2024, citando o ataque cibernético que silenciou o sistema de apuração da Venezuela. “Era o sinal de uma nova tentativa de golpe de estado”, afirmou.
“A Venezuela foi a experiência democrática mais ampla e profunda de toda a história latino-americana”, disse o jornalista, ao mencionar “as sanções, bloqueio, escalada golpista e pressão militar contra o governo chavista”, intensificados a partir de 2014.
Durante o programa, em novo formato e com a participação de Tom Altman, o jornalista comentou as relações entre o presidente Lula e Nicolás Maduro, e mudança de postura governo brasileiro que não reconheceu a reeleição em 2024 e o veto brasileiro à entrada do país nos BRICS.
“O governo brasileiro está se reposicionando corretamente”, afirmou, ao mencionar o envio de toneladas de medicamentos enviados pelo país à Caracas, após a destruição dos ataques norte-americanos. “Oxalá esse posicionamento ajude a América Latina a criar uma frente anti-imperialista”, disse Altman.
Crise do imperialismo
Outro tópico do programa foi a estratégia norte-americana para a região, no qual a Venezuela é “o alvo prioritário” de uma ação mais ampla, para toda a América Latina. E o papel decisivo do petróleo nas ações norte-americanas.
Altman também analisou o futuro dos Estados Unidos e do imperialismo hoje no mundo. “Nós vivemos uma conjuntura internacional de ofensiva imperialista, embora, estruturalmente estejamos vivendo a época histórica de declínio do imperialismo norte-americano“. Um processo que tem idas e vindas, mas “a força das armas não resolverá os problemas estruturais da crise do capitalismo norte-americano”, avaliou.























