Caças dos EUA invadem espaço aéreo venezuelano sobre águas do Golfo
Aviões de combate sobrevoaram a 160 quilômetros do Lago Maracaibo, segunda cidade mais populosa da Venezuela e sede de uma das principais bases militares do país
Dois caças F-18 dos Estados Unidos sobrevoaram o Golfo da Venezuela e permaneceram na região por cerca de 40 minutos, conforme o Flightradar24, um site dedicado a rastreamento de voos. Registrada na terça-feira (09/12), a incursão sobre o espaço aéreo venezuelano ocorre em meio à escalada de tensões entre os governos de Donald Trump e de Nicolás Maduro, com ameaças diárias que partem da Casa Branca contra o país caribenho.
De acordo com as informações, a invasão ocorreu por volta do meio-dia pelo horário local, em águas a cerca de 160 quilômetros a nordeste do Lago Maracaibo, a segunda cidade mais populosa da Venezuela e sede da Base Aérea Rafael Urdaneta, uma das principais bases militares do oeste do país. Ainda segundo o relatório, o par de aviões desenhava uma figura em forma de laço sobre o golfo em uma altitude de cerca de 7.620 metros.
Anteriormente, o exército dos Estados Unidos enviou bombardeiros B-52 Stratofortress e B-1 Lancer, mas estes chegaram até a costa da Venezuela. Ou seja, a operação mais recente comportada pelos caças F-18 se consolidou como a que chegou mais próximo do território soberano do país caribenho.
O jornal espanhol El País descreve que “as duas aeronaves fizeram várias viagens antes de seguir para um ponto próximo a Aruba, onde o porta-aviões norte-americano Gerald Ford, o maior e mais moderno do mundo, poderia ser atracado”, sendo que o local conta com aeronaves F-18 entre sua tripulação. “O Ford está na área desde o mês passado para reforçar o grande destacamento naval que os Estados Unidos mantêm no Caribe desde agosto e que inclui cerca de 15.000 soldados”, acrescenta.

Trajeto do voo dos dois caças norte-americanos F-18 no Golfo
Captura de tela/Flightradar24
Desde setembro, a Casa Branca tem mobilizado massivas operações no mar do Caribe e do Pacífico sob o pretexto infundado do combate ao tráfico de drogas. Sem a aprovação do Congresso, as suas acusações abriram espaço para a instalação de forças militares na costa venezuelana, que levou à morte de cerca de 87 pessoas até o momento. Diante das agressões, a comunidade internacional passou a rejeitar o intervencionismo de Trump, este que também considerou o fechamento do espaço aéreo venezuelano.
Na terça-feira, o site norte-americano Politico publicou uma entrevista exclusiva com Trump, durante a qual o republicano disse que “os dias de Nicolás Maduro estão contados” e não descartou o envio de tropas terrestres ao território venezuelano como parte de seus esforços para derrubar o governo bolivariano. Por sua vez, o mandatário da Casa Branca deu uma posição mais enfática para possíveis ataques contra outros países na América Latina que, segundo ele, estariam ligados ao narcotráfico, incluindo México e Colômbia.
























