Terça-feira, 20 de janeiro de 2026
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A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos rejeitou nesta quarta-feira (17/12) uma resolução que impediria o presidente do país, Donald Trump, de realizar ações militares contra a Venezuela sem autorização do Congresso.

O órgão, de maioria republicana, rejeitou por 213 votos a 211, a chamada Resolução de Poderes de Guerra, proposta pelo democrata Jim McGovern (Massachusetts). Outros nove parlamentares não votaram na proposta que tentava prevenir ofensivas contra o território venezuelano.

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“Não quero nenhuma guerra na Venezuela. Estou profundamente preocupado com a ideia de guerras intermináveis, com os Estados Unidos gastando cada vez mais recursos em guerras sem uma definição clara”, declarou o deputado antes da votação, citado pelo jornal norte-americano The New York Times.

McGovern ainda acusou a Casa Branca investir em ofensivas militares “num momento em que nem sequer conseguimos fornecer assistência médica neste país”.

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O deputado republicano Thomas Massie (Kentucky), republicano que apoiou a resolução, afirmou que a medida buscava reafirmar o papel constitucional do Congresso nas decisões sobre conflito, alertando que nenhuma ação militar deveria ocorrer sem aprovação legislativa.

Segundo a agência de notícia venezuelana TeleSUR, Massie desmentiu a retórica de Trump sobre a Venezuela ter “roubado petróleo dos EUA”, motivo pelo qual determinou o bloqueio de todos os navios petroleiros sancionados do país latino-americano. Segundo o congressista, a narrativa, na verdade, se refere a “projetos petrolíferos que foram nacionalizados pelo governo venezuelano há duas décadas”, expondo a falta de fundamento para uma intervenção militar.

Além de Massie, outros dois republicanos foram favoráveis à medida: Don Bacon, do Nebraska, e Marjorie Taylor Greene, da Geórgia. Do lado democrata, Henry Cuellar, do Texas, foi o único a rejeitar. Com a decisão, não foram impostas novas restrições ao Poder Executivo em relação às ações militares contra a Venezuela.

Já os republicanos contários à limitação de poder do Executivo quanto às ações militares contra a Venezuela apostavam na narrativa de que os democratas “não querem que o presidente seja capaz de defender os Estados Unidos”, como disse o deputado Brian Mast, da Flórida, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

“Ainda mais trágico é o fato de que quase 80 mil americanos sofreram overdose no ano passado por causa de fentanil, cocaína e outras drogas traficadas por cartéis. Os democratas também não querem protegê-los disso”, declarou, reverberando a suposta narrativa de combate ao narcotráfico.

Segunda proposta rejeitada

Por 216 votos a 210, os parlamentares também rejeitaram uma resolução proposta pelo deputado Gregory Meeks (Nova York), principal democrata na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, para que as hostilidade das forças armadas dos EUA contra “qualquer organização terrorista designada pelo presidente no Hemisfério Ocidental”, necessitasse da autorização do Congresso.

Trump ordenou “bloqueio total de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela”
Official White House Photo by Daniel Torok/Flickr

Nesta seção, novamente Massie (Kentucky) e Bacon (Nebraska) votaram contra a maioria republicana. Já Henry Cuellar e Vicente Gonzalez, ambos do Texas, foram os únicos do Partido Democrata a votar contra a propopsta de Meeks.

Para o New York Times, ambas as votações representam “uma vitória” para o governo Trump e o presidente da Câmara dos Representantes , Mike Johnson, (Partido Republicano -Louisiana). Segundo o periódico, ambos “têm lutado para conter a dissidência dentro de seu partido e tomaram medidas extraordinárias para evitar votações que desafiem diretamente a autoridade do presidente”.

Tensões aumentam

Desde agosto passado, os EUA mantêm uma força militar significativa na costa da Venezuela, justificando-a como parte da luta contra o narcotráfico. Washington anunciou posteriormente a Operação Lança do Sul, com o objetivo oficial de “eliminar narcoterroristas” do Hemisfério Ocidental e “proteger” os EUA “das drogas que estão matando” seus cidadãos. Além disso, Trump afirmou que, para esse fim, lançará em breve ataques terrestres.

Como parte dessas operações, foram realizados atentados contra barcos de supostos traficantes de drogas no Caribe e no Pacífico, resultando em um total de quase 100 mortos e sem provas de que eles realmente traficavam narcóticos.

Em uma escalada de ações violentas dos EUA na região, militares norte-americanos abordaram e apreenderam um petroleiro na costa da Venezuela. Caracas classificou o incidente como um “roubo descarado” e um “ato de pirataria internacional”. Maduro denunciou a situação como “um ato absolutamente criminoso e ilegal” e acusou a Casa Branca de agir “como piratas do Caribe contra uma embarcação mercante, comercial, civil, privada, um navio da paz”.

Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é a “mudança de regime” para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela. “A máscara deles caiu; o narcotráfico é ‘notícia falsa’: é o petróleo que eles querem roubar”, declarou após o ataque ao petroleiro que transportava petróleo bruto venezuelano em águas caribenhas.

Já na noite da última terça-feira (16/12), o presidente Donald Trump ordenou um “bloqueio total de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela”. Ele também acusou o governo venezuelano de “usar petróleo, terras e outros ativos”, que, segundo ele, foram “roubados” dos EUA, para financiar o “narcoterrorismo”. Com base nisso, ele designou o governo Maduro como uma “organização terrorista estrangeira”.

As decisões decorrem da acusação, sem provas, de Washington de que o presidente venezuelano lidera um cartel de drogas, com a multiplicação da recompensa por sua captura (de US$25 milhões para US$50 milhões).

A Organização das Nações Unidas e a própria a Agência de Repressão às Drogas dos Estados Unidos (DEA) apontam que a Venezuela não é uma rota principal para o tráfico de drogas para território norte-americano, já que mais de 80% das drogas utilizam a rota do Pacífico.

(*) Com Brasil247, Rt en español, Sputnik e TeleSUR