Premiê da Dinamarca afirma que um ataque dos EUA à Groenlândia seria ‘fim da OTAN'
Mette Frederiksen alertou contra ameaça norte-americana após Trump alegar que groenlandeses precisam de Washington por 'razões de segurança'
A premiê da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou nesta segunda-feira (05/01) que qualquer ataque dos Estados Unidos dirigido à Groenlândia, aliada da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) seria o fim de “tudo”.
“Se os Estados Unidos decidirem atacar militarmente outro país da OTAN, tudo pararia, o que inclui a OTAN e, portanto, a segurança pós-Segunda Guerra Mundial”, disse a ministra à emissora de televisão dinamarquesa TV2.
A declaração se deu após o presidente norte-americano Donald Trump afirmar, no dia anterior, que a sua nação precisa “muito” da Groenlândia, renovando os temores de uma invasão norte-americana no contexto do recente ataque à Venezuela. A ilha mencionada pelo republicano é em grande parte autônoma, ex-colônia dinamarquesa, e permanece parte do reino da Dinamarca. A política externa e de segurança da Groenlândia continua sob o controle de Copenhague.
“Neste momento, a Groenlândia está repleta de navios chineses e russos. Precisamos da Groenlândia por razões de segurança nacional. A Dinamarca não será capaz de lidar com essa tarefa”, afirmou Trump.
Segundo o jornal britânico The Guardian, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Nielsen, reagiu às falas do magnata, exigindo para que abandonasse as suas “fantasias sobre anexação”, e acrescentando acusações contra a Casa Branca de retórica “completamente e totalmente inaceitável”.
“Ameaças, pressão e conversas sobre anexação não possuem lugar entre amigos”, disse Nielsen por meio de publicação nas redes sociais. “Não é assim que se fala com um povo que demonstrou responsabilidade, estabilidade e lealdade repetidas vezes.”
A autoridade ainda afirmou que a Groenlândia está “aberta ao diálogo”, mas que ele deveria ocorrer pelos canais apropriados e em conformidade com o direito internacional, “não por meio de postagens aleatórias e desrespeitosas nas redes sociais.”
Por sua vez, Frederiksen afirmou que seu governo estava fazendo todo o possível para evitar um ataque norte-americano ao Estado, acusando Washington de exercer uma “pressão inaceitável” e um “ataque injustificado à comunidade internacional”.

Premiê da Dinamarca defendeu soberania do país sobre território da Groenlândia
Wikimedia Commons
Ainda nesta segunda, Nielsen e Frederiksen receberam o apoio da União Europeia, que se comprometeram a defender o princípio da integridade territorial, especialmente por se tratar de um membro do bloco europeu.
A porta-voz da UE para a política externa, Anitta Hipper declarou à imprensa que o bloco “continuará defendendo os princípios da soberania nacional, da integridade territorial e da inviolabilidade das fronteiras”. “Estes são princípios universais e não deixaremos de os defender, sobretudo se a integridade territorial de um Estado-membro da União Europeia for posta em causa”, acrescentou.
Por outro lado, a pressão sobre Frederiksen aumenta em meio às eleições gerais que serão convocadas neste ano, levando o governo a apresentar planos concretos sobre como a Dinamarca responderia caso a Groenlândia fosse invadida. Apesar de não acreditar nessa possibilidade, a deputada Aaja Chemnitz afirmou que os groenlandeses deveriam “ se preparar para o pior”.
No ano passado, no início do seu mandato presidencial, Trump não descartou uma intervenção militar para obter o controle da Groenlândia. Contudo, nos últimos meses, o mandatário norte-americano tem se mantido relativamente quieto sobre o assunto. A recente declaração do republicano gerou maior preocupação pois ela ocorreu no âmbito dos bombardeios à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores.























