Chanceler russo acusa EUA de querer controlar petróleo venezuelano e iraniano
Sergei Lavrov disse que agressão contra Caracas e ameaças a Teerã fazem parte de plano de Trump para conter 'eixo' que 'ameaça' hegemonia ocidental
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, declarou na quinta-feira (29/01) que por trás da agressão militar dos EUA perpetrada em 3 de janeiro contra o território venezuelano existe um fator econômico e energético que o presidente Donald Trump não esconde.
“Quando [Trump] iniciou uma operação completamente ilegal que mina todas as normas do direito internacional, incluindo a imunidade incondicional de altos funcionários do Estado, e sequestrou o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que junto com sua esposa está agora em uma prisão norte-americana, ele disse abertamente que os estadunidenses precisam do petróleo venezuelano”, declarou o ministro das Relações Exteriores da Rússia.
Lavrov também abordou a estratégia de Washington em relação ao Irã. O ministro das Relações Exteriores russo argumentou que “diferentemente da Venezuela, que está localizada em mar aberto, o Irã possui o Estreito de Ormuz, o que lhe confere vantagens geoestratégicas próprias para a segurança das rotas petrolíferas. Isso também é relevante considerando os interesses declarados oficial e abertamente pelo governo Trump.”
“O petróleo iraniano vem de um país que está entre os maiores produtores mundiais dessa commodity. Tenho quase certeza de que os americanos também prefeririam controlar esses fluxos de petróleo”, acrescentou.
Nesta quarta-feira (28/01), o ocupante da Casa Branca declarou que, “assim como aconteceu com a Venezuela”, a Marinha dos EUA “está pronta, disposta e apta a cumprir sua missão rapidamente, de forma rápida e violenta se necessário”, contra o Irã.

Lavrov lembrou que os EUA declararam abertamente seu interesse em controlar o petróleo venezuelano e, em relação ao Irã, mencionou suas reservas e o valor geoestratégico do Estreito de Ormuz
RIA Novosti / POOL
Teerã alertou que qualquer ação militar contra o país “será considerada o início de uma guerra” e garantiu que suas Forças Armadas “estão preparadas, com o dedo no gatilho, para responder imediata e vigorosamente a qualquer agressão”.
A política hostil dos EUA em relação ao Irã se deve a uma combinação de múltiplos fatores, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia em entrevista, quando questionado se os motivos eram o programa nuclear, o equilíbrio de poder regional ou uma estratégia mais ampla para conter a China e a Rússia.
A esse respeito, ele afirmou que “tudo isso está interligado. Geopoliticamente, mesmo com Joe Biden, os Estados Unidos começaram a falar não apenas de um ‘eixo do mal’, mas de um ‘eixo’ de estados que realmente representam uma ameaça à hegemonia ocidental. Isso inclui a Rússia, a China, o Irã, a República Popular Democrática da Coreia e, às vezes, até mesmo Belarus como nosso aliado. Está aí. Eles não escondem isso.”
Na mesma entrevista, Lavrov observou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, “nunca escondeu o fato de que o Irã representa uma ameaça existencial para Israel” e reafirmou a disposição de Moscou em atuar como mediador no conflito entre Tel Aviv e Teerã.
Lavrov lembrou o papel decisivo de seu país no acordo nuclear de 2015 como prova de sua capacidade de facilitar soluções técnicas e diplomáticas. Ele enfatizou que tanto os atores regionais quanto os Estados Unidos estão cientes de que o Kremlin está pronto para usar seus “bons ofícios” para evitar uma escalada ainda maior que possa comprometer a estabilidade internacional.
A preocupação russa concentra-se particularmente na segurança das instalações nucleares. Lavrov referiu-se a incidentes anteriores em que infraestruturas sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) foram atacadas, criticando o silêncio da agência relativamente ao que descreveu como violações do Tratado de Não Proliferação Nuclear.
Ele alertou que o uso de armamento especializado capaz de penetrar estruturas subterrâneas de concreto poderia desencadear uma catástrofe humanitária e ambiental e, portanto, insistiu que o bom senso prevalecesse sobre a retórica de um confronto inevitável.























