Quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
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Marco Rubio compareceu perante o Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA na quarta-feira (28/01). “Não há guerra contra a Venezuela e não ocupamos o país. Não há tropas norte-americanas em solo venezuelano”, afirmou o Secretário de Estado, que também atua como conselheiro de segurança nacional do presidente Trump.

O senador republicano Rand Paul, que se descreve como “a pessoa mais pacifista do Senado”, destacou a contradição: “Se um país estrangeiro bombardeasse nossos mísseis de defesa aérea, capturasse e sequestrasse nosso presidente e bloqueasse nosso país, isso seria considerado um ato de guerra?”.

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“É claro que seria um ato de guerra”, continuou Paul. “Eu votaria a favor da declaração de guerra se alguém invadisse nosso país e levasse nosso presidente embora”.

Rubio esquivou-se da pergunta. Ele argumentou que a operação de 3 de janeiro foi “policial” e durou quatro horas e meia para capturar alguém que os Estados Unidos “não reconhecem como chefe de Estado”, com uma recompensa de 50 milhões de dólares por sua captura.

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Naquele dia, o presidente venezuelano Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram sequestrados por tropas estadunidenses após um atentado a bomba que deixou pelo menos 100 mortos e mais de 100 feridos, segundo o ministro Diosdado Cabello. Ambos foram levados para Nova York, onde se declararam inocentes das acusações de narcoterrorismo.

Paul concluiu suas observações afirmando: “Argumentos unilaterais, que não podem ser aplicados a si mesmo, que não são universalmente aplicáveis, são argumentos ruins.”

A contradição de Rubio não terminou aí. Em seu discurso preparado para a comissão, ele alertou que o governo usaria a força “para garantir a máxima cooperação caso outros métodos falhassem”.

Dois projetos incompatíveis

Enquanto Rubio fala em supervisionar uma suposta “transição de um Estado criminoso para um parceiro responsável”, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, delineou as prioridades legislativas do país no Palácio Federal, entre as principais: o fortalecimento do Poder Popular como eixo fundamental do Estado.

São dois projetos que não podem coexistir. Um — o imperialista — prevê o controle externo. O outro — o bolivariano — aprofunda a participação cidadã nas decisões nacionais. A diferença reside nos princípios: quem decide o destino do país?

A presidente interina Delcy Rodríguez traçou essa linha ao responder às declarações do secretário do Tesouro dos EUA, que ela descreveu como “irrelevantes e ofensivas”. “O povo da Venezuela não aceita ordens de nenhuma força externa. O povo da Venezuela tem um governo, e esse governo obedece ao povo”, declarou ela perante autoridades do setor energético, legisladores e líderes empresariais nacionais e internacionais.

Fundos liberados para investimento social

A Venezuela responde com ações. Rodríguez anunciou a liberação de verbas estatais que serão reinvestidas em proteção social. “Estamos liberando verbas para investir em equipamentos essenciais para hospitais, o setor elétrico e a indústria de gás”, afirmou.

O governo criou dois fundos soberanos: um destinado a necessidades sociais e o outro a serviços públicos e infraestrutura. Esses recursos estavam congelados há anos devido a sanções unilaterais. Agora, serão direcionados para hospitais, a rede elétrica e a indústria nacional de gás.

A Venezuela reafirmou sua disposição de dialogar com base no respeito mútuo e na não interferência. Rodríguez insistiu que qualquer acordo deve reconhecer a autodeterminação do povo venezuelano e respeitar suas instituições democráticas.

Os fundos soberanos permitem que o governo priorize as questões nacionais sem subordinar sua política interna a condições externas. Caracas libera recursos, investe em saúde e serviços públicos, fortalece o poder popular e reafirma que as decisões sobre o futuro do país são tomadas por seu próprio povo.