Terça-feira, 9 de dezembro de 2025
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O governo cubano denunciou neste sábado (29/11) uma constante interferência eletromagnética promovida pelos Estados Unidos sobre os sinais de satélite na região do Caribe. A acusação, feita pelo chanceler Bruno Rodríguez Parrilla, acontece no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou  que o espaço aéreo venezuelano está “totalmente fechado”.

“Denunciamos a persistente interferência eletromagnética no Caribe, especialmente no espaço aéreo da Venezuela, provocado pela ofensiva e pelo desdobramento militar dos EEUU na região”, afirmou Parrilla, em postagem publicada na plataforma X.

Ele disse que a interferência é “parte da escalada da agressão militar e da guerra psicológica contra o território venezuelano, com o objetivo de derrubar à força o governo legítimo da nação irmã em Nossa América”, acrescentou.

Análise da Bloomberg, publicada na última quarta-feira (26/11), identificou o que chamou de “parede invisível de ruído eletromagnético” se espalhando pelo Caribe, tornando o espaço aéreo praticamente intransitável para navegação por sistemas GNSS — que incluem GPS (EUA), Galileo (Europa) e GLONASS (Rússia).

Os dados mostram que a interferência começou a aumentar semanas antes, coincidindo com uma maior presença naval dos Estados Unidos.

Cuba denuncia interferência eletromagnética dos EUA no Caribe
Reprodução / Jean-Marc Ferré

Fechamento do espaço aéreo

A ofensiva ganhou novo impulso neste sábado, após Trump afirmar que o espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela deveria ser tratado como “completamente fechado”. Em sua rede Truth Social, ele instruiu companhias aéreas a considerar a área como interditada, alegando riscos ligados ao narcotráfico e ao tráfico de pessoas.

O alerta ecoa a mensagem na semana passada, da Administração Federal de Aviação (FAA), que pediu “extrema cautela” no espaço aéreo do aeroporto de Caracas. A notificação, válida até 19 de fevereiro, apontava riscos potenciais para aeronaves durante sobrevoos, pousos, decolagens e operações em solo.

A situação se agrava após Trinidad e Tobago ter autorizado a instalação de um radar militar norte-americano na ilha de Tobago, a apenas algumas milhas do território venezuelano. Apresentada como parte de uma estratégia de combate ao narcotráfico, a medida permitirá o monitoramento constante de atividades dentro e fora do espaço aéreo da Venezuela.

Testemunhas também relataram a presença contínua de fuzileiros navais dos EUA em hotéis de Tobago, bem como o pouso de aeronaves militares e a realização de exercícios conjuntos com a Força de Defesa trinitense.

*Com TeleSur