Cuba denuncia interferência eletromagnética dos EUA no Caribe
Chanceler cubano, Bruno Parrilla, repudia agressões de Washington na região: 'objetivo é derrubar à força um governo legítimo'
O governo cubano denunciou neste sábado (29/11) uma constante interferência eletromagnética promovida pelos Estados Unidos sobre os sinais de satélite na região do Caribe. A acusação, feita pelo chanceler Bruno Rodríguez Parrilla, acontece no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o espaço aéreo venezuelano está “totalmente fechado”.
“Denunciamos a persistente interferência eletromagnética no Caribe, especialmente no espaço aéreo da Venezuela, provocado pela ofensiva e pelo desdobramento militar dos EEUU na região”, afirmou Parrilla, em postagem publicada na plataforma X.
Ele disse que a interferência é “parte da escalada da agressão militar e da guerra psicológica contra o território venezuelano, com o objetivo de derrubar à força o governo legítimo da nação irmã em Nossa América”, acrescentou.
Análise da Bloomberg, publicada na última quarta-feira (26/11), identificou o que chamou de “parede invisível de ruído eletromagnético” se espalhando pelo Caribe, tornando o espaço aéreo praticamente intransitável para navegação por sistemas GNSS — que incluem GPS (EUA), Galileo (Europa) e GLONASS (Rússia).
Os dados mostram que a interferência começou a aumentar semanas antes, coincidindo com uma maior presença naval dos Estados Unidos.

Cuba denuncia interferência eletromagnética dos EUA no Caribe
Reprodução / Jean-Marc Ferré
Fechamento do espaço aéreo
A ofensiva ganhou novo impulso neste sábado, após Trump afirmar que o espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela deveria ser tratado como “completamente fechado”. Em sua rede Truth Social, ele instruiu companhias aéreas a considerar a área como interditada, alegando riscos ligados ao narcotráfico e ao tráfico de pessoas.
O alerta ecoa a mensagem na semana passada, da Administração Federal de Aviação (FAA), que pediu “extrema cautela” no espaço aéreo do aeroporto de Caracas. A notificação, válida até 19 de fevereiro, apontava riscos potenciais para aeronaves durante sobrevoos, pousos, decolagens e operações em solo.
A situação se agrava após Trinidad e Tobago ter autorizado a instalação de um radar militar norte-americano na ilha de Tobago, a apenas algumas milhas do território venezuelano. Apresentada como parte de uma estratégia de combate ao narcotráfico, a medida permitirá o monitoramento constante de atividades dentro e fora do espaço aéreo da Venezuela.
Testemunhas também relataram a presença contínua de fuzileiros navais dos EUA em hotéis de Tobago, bem como o pouso de aeronaves militares e a realização de exercícios conjuntos com a Força de Defesa trinitense.
*Com TeleSur























