Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
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Diversos atores internacionais expressaram sua rejeição às ameaças dos Estados Unidos contra a Venezuela e o Caribe na segunda-feira (01/12), durante a abertura da Primeira Cúpula dos Povos do BRICS, realizada no Rio de Janeiro, no Brasil. O encontro, organizado pelo Conselho Civil dos Povos do BRICS, reúne movimentos sociais, acadêmicos e organizações da sociedade civil dos 11 países que compõem o bloco.

“O Sul Global se solidariza com o povo da Venezuela”, declarou Margret Molefe, vice-presidente executiva da Associação Sul-Africana da Juventude, conforme relatado pelo correspondente da teleSUR, André Vieira, na rede social X. Sua declaração responde à crescente preocupação com a escalada da agressão militar e das medidas coercitivas recentemente anunciadas por Washington.

Da mesma forma, a delegada de Cuba na Cúpula, María del Carmen, destacou que “enquanto o governo dos Estados Unidos está enviando navios e tropas para o Caribe, uma operação desproporcional sob o pretexto de combater o terrorismo, neste evento estamos construindo unidade e multilateralismo”, relatou o correspondente.

Por sua vez, a jurista brasileira Carol Proner, membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, alertou para a gravidade dessas ações. “São verdadeiros assassinatos ”, afirmou, referindo-se aos ataques militares no Caribe, e criticou a postura dos Estados Unidos, que “agem com ameaças como se fossem a polícia global”.

Proner destacou um incidente particularmente grave: após um ataque a uma embarcação não identificada, os sobreviventes foram atacados novamente . “É algo que o próprio governo dos EUA fez questão de explicar, porque é uma situação grotesca e extremamente séria”, afirmou.

Participantes da Primeira Cúpula dos Povos do BRICS, no Rio de Janeiro, defendem soberania e direito internacional
AndreteleSUR

Ela também questionou a medida anunciada pelo ex-presidente Donald Trump de impor um “fechamento total” do espaço aéreo venezuelano, chamando-a de “algo nunca visto antes” do ponto de vista do direito internacional, pois viola flagrantemente a soberania de um Estado.

A jurista destacou que o conflito “não é apenas uma questão de vizinhos”, lembrando que o Brasil compartilha mais de dois mil quilômetros de fronteira com a Venezuela e mantém “uma aliança pela democracia, uma relação social e popular de grande respeito e apoio”.

“Devemos ter muita cautela, pois há um precedente em jogo, bem como uma longa relação de cooperação humanitária que está em risco”, concluiu Proner, apelando à defesa do direito internacional e da paz regional contra as políticas unilaterais dos EUA.

A Cúpula dos Povos do BRICS busca coordenar a participação da sociedade civil na formulação de propostas para fortalecer a cooperação no Sul Global, promovendo o multilateralismo, a multipolaridade e reduzindo a dependência do dólar norte-americano nas transações internacionais.

Esta é a última grande atividade do BRICS sob a Presidência do Brasil, antes que a Índia assuma a liderança do bloco em 2026.