Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou nesta quinta-feira (08/01), no Palácio do Planalto, uma cerimônia alusiva aos três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, com a presença de ministros, governadores de estados, parlamentares e lideranças sociais. 

O ato deste ano, intitulado “Defesa da Democracia” não contou com a presença dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e Davi Alcolumbre (União-AP), tampouco com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como ocorreu em outras ocasiões. 

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“O Brasil e o povo venceram”, disse Lula, interrompido diversas vezes pela plateia com gritos de “sem anistia”. 

“O dia 8 de janeiro marca a vitória da nossa democracia sobre os que tentaram tomar o poder pela força. Vencemos os que defendiam a ditadura e a tortura, e os que planejaram assassinatos de autoridades. Derrotamos os traidores da pátria que queriam devolver o Brasil ao mapa da fome”, declarou o presidente.

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O mandatário afirmou ainda que o ato desta quinta “exalta a conduta da Suprema Corte, que não se submeteu a caprichos” e defendeu a legitimidade dos julgamentos que condenaram os articulares da trama golpista, entre os quais, generais e ex-ministros de Estado, além do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), que está preso por liderar a organização criminosa que atentou contra o Estado de direito. 

“Quero parabenizar a Suprema Corte pela conduta irrepreensível durante todo esse processo. Os inimigos da democracia tentaram destruir esse projeto, mas tiveram a garantia de um julgamento justo pelo Supremo Tribunal Federal. A Suprema Corte julgou com transparência e imparcialidade, baseada em provas robustas”, considerou o presidente. 

“Em nome do futuro, não temos o direito de esquecer o passado. Por isso, nós não aceitamos nem ditadura civil, nem ditadura militar”, defendeu Lula, que fez um discurso lido, sem mencionar os Estados Unidos, as sanções contra o Brasil, e a recente agressão militar contra a Venezuela.

Ao final do ato, o presidente assinou o veto integral ao Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado pelo Congresso Nacional no fim do ano passado. O texto foi aprovado no Senado com 48 votos a favor e 25 contrários e propõe uma mudança na punição para quem cometer os crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, beneficiando diretamente aos condenados pelo STF, entre os quais, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Presidente Lula e a primeira-dama Janja Silva, no ato sobre o 8 de janeiro, no Palácio do Planalto
Ricardo Stuckert/PR

Mensagem silenciosa da primeira-dama

Embora as autoridades tenham evitado mencionar a agressão militar contra a Venezuela, uma mensagem discreta da primeira-dama, Rosângela Silva, chamou a atenção. Janja compareceu ao ato usando uma camisa com a imagem da América Invertida, um desenho do artista hispano-uruguaio Joaquín Torres García, em que o artista propõe um movimento artístico latino-americano autônomo. O mesmo artista teria cunhado pela primeira vez a frase “Nosso norte é o Sul”. 

O desenho de Torres García é comumente utilizado pelos movimentos populares anti-imperialistas, defensores da integração latino-americana. 

Venezuela presente

Se nos discursos oficiais o tema da agressão militar à Venezuela brilhou pela ausência, do lado de fora do Planalto uma imensa bandeira da Venezuela chamava a atenção entre os integrantes de movimentos populares que se reuniram na Praça dos Três Poderes.

A dirigente nacional do Movimento Sem Terra (MST), Ceres Hadich, destacou que a soberania do Brasil e de todos os povos latino-americanos estão em risco enquanto persistir as ameaças, violências e sequestros contra o povo venezuelano.

“Aqui a gente está celebrando que a gente conseguiu manter a nossa democracia de pé, e apontando o que a gente ainda precisa fazer para garantir a nossa democracia, mas a Venezuela está nesse momento sofrendo uma agressão, com o bombardeio do seu território, o sequestro do seu presidente, Nicolás Maduro, e da primeira combatente, Cilia Flores. Essa agressão ao povo venezuelano precisa servir de alerta para todos nós no Brasil e em todos os países latino-americanos, para que a gente aprofunde a democracia nos nossos países e consiga enfrentar juntos esse momento”, disse Hadich.

“Também é uma forma de prestar nossa solidariedade ao povo da Venezuela e dizer que eles não estão sozinhos”, completou a dirigente do MST.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o advogado e coordenador do Grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, recorreu à poesia para comentar o atual momento que vive a América Latina: “É preciso estar atento e forte sempre. Hoje e sempre é o que nós vamos fazer”, disse o jurista que, por outro lado, minimizou os riscos de ingerência estrangeira no Brasil.

“Esta é uma data em que a gente celebra a vitória da democracia, das instituições e do Estado de direito. E o Brasil tem dimensões continentais. É uma das maiores democracias do mundo. Então é evidente que o mundo está olhando para o Brasil. E a gente celebrar a vitória da democracia, das instituições, é um recado muito forte para o mundo de que nós vamos resistir a qualquer tentativa de retrocesso. Nós temos instituições fortes, temos instituições sólidas e temos um presidente que está à altura desse desafio de enfrentar essa nova ordem política mundial”, avaliou Carvalho.