Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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Nas primeiras horas deste sábado (03/01), às 1h58 pelo horário de Caracas, as Forças Especiais dos Estados Unidos bombardearam diversas regiões da Venezuela, incluindo a capital e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

A operação militar foi coordenada pela Agência Central de Inteligência (CIA) e pelo Departamento Federal de Investigação (FBI), e contemplou o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, como anunciado inicialmente pelo próprio mandatário Donald Trump, na plataforma Truth Social.

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De imediato, o governo venezuelano informou ter acionado “todos os planos de defesa nacional” e ordenou “a implementação do decreto declarando estado de comoção externa em todo o território nacional” para proteger a população, o funcionamento das instituições republicanas e avançar para a luta armada.

“O objetivo deste ataque não é outro senão tomar os recursos estratégicos da Venezuela, especialmente seu petróleo e minerais, tentando romper à força a independência política da nação… Eles não vão ter sucesso”, disse Caracas, em comunicado.

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Contexto do ataque

A agressão militar ocorreu após meses de ataques mortais a supostos barcos transportadores de drogas, o sequestro de dois navios petroleiros venezuelanos e um reforço militar norte-americano com aproximadamente 15 mil soldados monitorando as costas do país sul-americano.

A operação, sob pretexto do combate ao tráfico de drogas, resultou na morte de dezenas de civis, fato que foi condenado pelo mundo e chamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) de “execuções extrajudiciais”.

Em um primeiro momento, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou que o paradeiro do presidente Maduro e da primeira-dama não eram conhecidos e, assim, exigiu que Washington fornecesse prova de vida. Posteriormente, o republicano publicou em rede social uma imagem do Maduro, de olhos vendados, com os dizeres: “Nicolas Maduro a bordo do USS Iwo Jima”.

Sequestro

Horas depois da operação, Trump compartilhou uma foto que, segundo ele, mostra Nicolás Maduro logo após ser sequestrado por forças norte-americanas.

A imagem mostra o presidente venezuelano vestindo um moletom cinza, algemado e com os olhos vendados e as orelhas tapadas.

A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, informou que Maduro e sua esposa serão julgados em Nova York por suposta “relação com o terrorismo e o narcotráfico”, e que também serão mantidos sob custódia em uma prisão desse estado.

Bondi não deu detalhes sobre quando seria o possível julgamento, tampouco apresentou provas da relação do presidente venezuelano com os crimes citados.

Repercussão internacional

Diversos países condenaram a agressão norte-americana, tais como Brasil, Cuba, Colômbia, Rússia, China, Irã e Turquia, qualificando-a como uma violação da soberania de um Estado independente, ferindo o direito internacional.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, publicou declaração dizendo que “atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.

Por sua parte, o governo da Rússia exigiu que os Estados Unidos libertem o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.

No comunicado, Moscou afirma que “diante das informações confirmadas sobre a presença do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa nos Estados Unidos, instamos veementemente a liderança americana a reconsiderar essa posição e libertar o presidente legitimamente eleito de um país soberano e sua esposa”.

Nicolás Maduro e Cilia Flores foram sequestrados pelos Estados Unidos após operação militar em Caracas
Presidência da Venezuela

Trump na coletiva

Horas depois do ataque, na coletiva concedida em sua residência de Mar-a-Lago, na Flórida, Trump disse que considerou a operação militar na Venezuela como “extraordinária”, e acrescentou que “foi uma das exibições mais eficazes do poder norte-americano e da competência dos nossos militares”.

Em seguida, disse que os Estados Unidos vão governar a Venezuela “até que possa haver uma transição segura”.

“Nós queremos coordenar esse país de uma forma justa e que tenha alguém ali até que essa situação seja resolvida. Nós iremos administrar o país até que ele possa permanecer de forma segura, apropriada e que seja justo. Nós queremos paz, liberdade e justiça para o povo da Venezuela. Isso inclui muitos venezuelanos que vivem nos Estados Unidos e querem voltar para casa”, ressaltou.

O mandatário também disse que os Estados Unidos têm pessoal “para governar até que eles (venezuelanos) possam fazer por conta própria”.

No entanto, descartou um governo da líder opositora María Corina Machado, ganhadora do Nobel da Paz de 2025. Segundo Trump, “seria muito difícil para ela (governar), porque não tem o apoio e o respeito de todo o país”.

Sobre a possibilidade de um segundo ataque em território venezuelano, Trump disse que não será preciso, porque a primeira ofensiva “foi muito bem sucedida”, mas fez uma ameaça: “estamos preparados para uma segunda operação, muito maior na verdade, nós podemos fazer isso”.

Petróleo

Ainda na coletiva, Trump mencionou várias vezes o petróleo venezuelano, e ressaltou que os Estados Unidos conseguiram “apreender o petróleo venezuelano para trazer para o solo norte-americano”, e justificou a medida afirmando que a Venezuela, supostamente, roubou “milhões de dólares” em reservas de petróleo do país norte-americano.

“Nós que construímos a indústria petrolífera na Venezuela, com nosso talento, nosso trabalho. Deixamos que o regime socialista roubasse durante os governos anteriores e usando a força. Isso foi um dos maiores roubos de propriedade da história do nosso país. Uma estrutura imensa de petróleo foi tomada e os norte-americanos nunca vão permitir que poderes estrangeiros roubem o nosso povo”, alegou.

Vale recordar, entretanto, que a nacionalização da indústria petrolífera da Venezuela ocorreu no ano de 1976, e não durante um governo socialista, mas sim em um governo de direita: o primeiro mandato de Carlos Andrés Pérez, que liderou o país entre 1974 e 1979, e que voltaria ao poder entre 1989 e 1993.

Maduro é o ‘único presidente da Venezuela’

Após o discurso de Trump a jornalistas, a vice-presidente Delcy Rodríguez se pronunciou em cadeia nacional para ressaltar que na Venezuela “há apenas um presidente” e que “seu nome é Nicolás Maduro Moros”. A autoridade exigiu a “libertação imediata” do líder de Caracas e reafirmou que ele é o “único presidente da Venezuela”.

De acordo com Rodríguez, o motivo verdadeiro dos ataques liderados por Washington é a pretensão da “mudança de regime na Venezuela”, que permitiria aos Estados Unidos “capturar nossa energia, minerais e recursos naturais”.

Apesar dos bombardeios e do sequestro, a vice instou a população a “manter a calma” e que “todo o poder nacional” foi acionado, incluindo a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), os militantes e o próprio povo, tendo como objetivo ratificar a defesa da independência, soberania e integridade territorial. Ela falou em “fusão policial, militar e popular”, e sustentou a necessidade de “um único corpo” para defender “nossa amada Venezuela”.