Terça-feira, 20 de janeiro de 2026
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Os Estados Unidos exigiram que o novo governo da Venezuela, liderado pela presidente interina, Delcy Rodríguez, rompa relações econômicas com a China, Rússia, Irã e Cuba, segundo informações da emissora norte-americana ABC News.

De acordo com três fontes familiarizadas com o plano, a primeira exigência de Washington é que Caracas “expulse a China, a Rússia, o Irã e Cuba”. Além disso, que Venezuela aceite os Estados Unidos como seu único parceiro na produção de petróleo, além de dar preferência aos compradores norte-americanos na venda do material bruto.

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Segundo uma das fontes citadas pela emissora, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a parlamentares em uma reunião privada na última segunda-feira (05/01) que acredita que Washington pode “forçar a Venezuela a ceder”.

Rubio também disse aos legisladores que os EUA estimam que Caracas tenha apenas algumas semanas antes de se declarar financeiramente insolvente, caso não venda suas reservas de petróleo às empresas norte-americanas.

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Por sua vez, o presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, Roger Wicker, confirmou à ABC News que o plano da Casa Branca depende do controle do petróleo venezuelano.

“O governo [dos EUA] pretende controlar o petróleo, assumindo o controle dos navios, dos petroleiros, e nenhum deles irá para Havana. As informações que tenho são de que a Venezuela não consegue bombear mais petróleo bruto porque não há onde armazená-lo nem para onde enviá-lo. Os navios-tanque estão cheios e aguardando para serem levados a um local apropriado, de preferência para serem vendidos no mercado aberto, em vez de serem [doados] gratuitamente à China”, declarou à emissroa.

Por outro lado, a autoridade acrescentou que o plano não envolve o envio de tropas norte-americanas ao território venezuelano.

Segundo outra fonte, Trump planeja “exercer a máxima influência sobre os elementos remanescentes na Venezuela e garantir que eles cooperem com os Estados Unidos” para “interromper a imigração ilegal, combater o fluxo de drogas, revitalizar a infraestrutura petrolífera e fazer o que é certo para o povo venezuelano”.

As informações da ABC News são reveladas após Trump anunciar que a Venezuela entregará ao país entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo, na noite da última terça-feira (06/01).

Em publicação na na plataforma Truth Social, Trump disse que a commodity será vendida nos EUA “a preço de mercado” e que o dinheiro obtido será administrado por ele, para “garantir que seja utilizado em benefício do povo venezuelano e dos Estados Unidos”.

Informações da ABC News são reveladas após Trump anunciar que Venezuela entregará milhões de barris de petróleo
Official White House Photo by Daniel Torok

Cooperação é baseada na soberania, diz Pequim

Por sua vez, a China, principal compradora do petróleo de Caracas, declarou que a Venezuela deve ter “soberania plena e permanente sobre seus recursos naturais e suas atividades econômicas”.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores chinês, as exigências estadunidenses à Caracas “violam o direito internacional, lesam a soberania e minam os direitos do povo venezuelano”.

A porta-voz da chancelaria chinesa Mao Ning afirmou ainda que “a China condena veementemente isso”. “A cooperação entre a China e a Venezuela é uma cooperação entre dois Estados soberanos e está sob a proteção do direito internacional e das leis pertinentes. Os direitos e interesses legítimos da China e de outros países na Venezuela devem ser protegidos”, acrescentou.

Já a Rússia emitiu um comunicado, também nesta quarta-feira (07/01), reafirmando sua “solidariedade inabalável” à Venezuela, agora presidida interinamente por Delcy Rodríguez.

Ao chamar as ações estadunidenses de “ameaças neocoloniais ultrajantes e agressão armada externa”, Moscou parabenizou Caracas por “proteger a soberania do Estado e os interesses nacionais”.

O governo russo também manifestou sua disposição em “continuar prestando o apoio necessário à amiga Venezuela” e que o país “deve ter o direito garantido de determinar seu destino por conta própria, sem qualquer interferência destrutiva do exterior”.

Ao condenar o sequestro do presidente Nicolás Maduro, o governo da Venezuela já havia declarado que o objetivo dos ataques dos EUA “não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país”.

Após o ataque direcionado à Caracas no último sábado (03/01), diversos países ao redor do mundo, incluindo a Rússia, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou condenou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência estrangeira.

(*) Com Ansa e RT en español