EUA: projeto de lei contra ataques na Venezuela é bloqueado por senadores republicanos
Autor da proposta, democrata Jeff Markley, alertou para 'responsabilidade constitucional' do Congresso em impedir Trump de iniciar guerra
O senador democrata Jeff Merkley (Oregon) tentou aprovar nesta quarta-feira (10/12) um projeto de lei destinado a impedir que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordene ações militares não autorizadas contra a Venezuela. A proposta, no entanto, foi bloqueada pelos senadores republicanos no Congresso norte-americano.
“Enquanto estamos aqui nesta Câmara, o presidente Trump está se preparando para iniciar uma guerra, uma guerra contra a Venezuela – sem uma declaração de guerra, sem autorização do Congresso e sem uma dotação de fundos pelo Congresso”, alertou Merkley na tribuna da casa legislativa.
“Vim ao plenário para reafirmar o papel constitucional do Congresso sobre essa decisão de ir para a guerra” e “para pedir o consentimento unânime do Senado para aprovar a Lei que proíbe ações militares não autorizadas na Venezuela”, afirmou.
Ele explicou que o projeto de lei “proíbe que quaisquer fundos federais sejam usados pelos Estados Unidos para travar uma guerra contra a Venezuela”. E acrescentou que a proposta “não impede os EUA de se defenderem a si próprios ou aos seus cidadãos contra um ataque armado. Não impede operações legais de combate ao narcotráfico. Não impede a assistência humanitária ao povo venezuelano. Mas protege e defende a separação de poderes essencial da nossa Constituição”.

Senador democrata Jeff Merkley (Oregon) tentou aprovar projeto de lei contra guerra de Trump na Venezuela
@SenJeffMerkley
Outros senadores norte-americanos também se manifestaram. Conforme registra o britânico The Guardian, o republicano Rand Paul, em entrevista à NewsNation, afirmou que a operação “soa muito como o começo de uma guerra”. “Não é função do governo americano sair atrás de monstros pelo mundo, procurar adversários e iniciar guerras”, acrescentou.
Já o senador democrata Chris Coons também disse estar “gravemente preocupado que [Trump] esteja sonâmbulo e nos levando a uma guerra com a Venezuela”.
Petroleiro apreendido
As preocupações dos congressistas cresceram após a apreensão, nesta quarta-feira (10/12) de um navio petroleiro na costa da Venezuela, em uma operação confirmada por Trump no mesmo dia. “Acabamos de apreender um petroleiro na costa da Venezuela – um petroleiro grande, muito grande, o maior já apreendido na verdade”.
Trump afirmou que o navio “foi apreendido por um motivo muito bom”, mas recusou-se a informar quem era o proprietário da embarcação. Nas redes sociais, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, disse que o navio estava sancionado há anos por participar de uma rede ilícita de transporte de petróleo associada a organizações consideradas terroristas por Washington.
Caracas reagiu e classificou a ação como “um roubo flagrante e um ato de pirataria internacional”, afirmando que o ataque confirma que a ofensiva contra o país “sempre foi sobre nossos recursos naturais, nosso petróleo, nossa energia, os recursos que pertencem exclusivamente ao povo venezuelano”.
Segundo três autoridades americanas que falaram ao New York Times sob anonimato, o navio petroleiro, identificado como Skipper, transportava petróleo venezuelano da estatal PDVSA. Os tripulantes não apresentaram resistência e não houve feridos.
O jornal aponta que não há informações sobre o que acontecerá com a tripulação e com o navio; e que o mandado de apreensão, ainda sob sigilo, não especifica se a ordem se refere ao petróleo, à embarcação ou a ambos. A Casa Branca tampouco esclareceu se o país possui autoridade legal para manter o petróleo apreendido.
























