Venezuela denuncia plano de Maria Corina contra embaixadas no país
Segundo ministro Diosdado Cabello, líder da extrema direita planejou ataques contra sedes diplomáticas para que comunidade internacional 'se irritasse' contra governo Maduro
O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, denunciou que a líder extremista da oposição venezuelana, María Corina Machado, contratou mercenários para atacar embaixadas de outros países na Venezuela.
Durante seu programa de televisão Con el Mazo Dando, na noite da última quarta-feira (17/12), ele disse que a política de extrema direita “não é uma marionete do presidente dos EUA, Donald Trump, mas sim da petrolífera norte-americana ExxonMobil” e “das empresas que querem vir saquear a Venezuela”.
“Cori [María Corina Machado] conversou com grupos de mercenários para operações relâmpago em embaixadas localizadas na Venezuela, até mesmo ataques que irritariam a comunidade internacional para que, por vingança, decidissem apoiar” Edmundo González Urrutia, o ex-candidato da oposição nas últimas eleições presidenciais — vencidas por Nicolás Maduro.
O ministro venezuelano acusou Machado de “aproveitar o tempo para fazer algumas cirurgias plásticas, mas também dar início ao seu plano”. “Ela está simplesmente deixando o destino do nosso país à mercê dos caprichos de Trump”, acusou.
“Só uma pessoa com uma alma tão profundamente podre como María Corina Machado e todos aqueles vermes infestados de piolhos que a apoiam pode afirmar que 60% dos venezuelanos são narcotraficantes”, disse ele, rejeitando o que chamou de campanha difamatória contra a nação e seus cidadãos.
Segundo o alto funcionário venezuelano, Machado e seus aliados continuam avaliando opções para atacas embaixadas de outros países. Machado, representante da ala mais radical da oposição venezuelana, é uma ferrenha defensora da intervenção militar estrangeira em seu país para derrubar o governo Maduro. Ela tem exigido repetidamente a interferência de Washington nos assuntos internos do país e endossado medidas coercitivas unilaterais.
Venezuela “tem capacidade” contra EUA
Cabello, que também é secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), também declarou que a “a tentativa dos EUA em se apropriar do petróleo, das terras e das riquezas da Venezuela é a verdadeira confissão do imperialismo estadunidense”.
Segundo Cabello, as agressões da Casa Branca contra Caracas não estão relacionadas à democracia, ao narcotráfico ou ao terrorismo, mas sim ao controle dos recursos energéticos do país latino-americano.
“Todas as máscaras caíram”, afirmou o ministro venezuelano, enfatizando que o discurso oficial de Washington é apenas uma fachada para ocultar seus interesses em roubar os recursos econômicos da Venezuela.
O ministro Cabello enfatizou que os EUA se incomodam com a “dignidade do povo venezuelano, que sabe defender o que lhe pertence”. “Se fosse um povo sem dignidade, os Estados Unidos não se importariam que tivéssemos petróleo, mas aqui temos um povo digno”, afirmou, destacando a capacidade organizacional e a resiliência dos cidadãos venezuelanos diante das pressões externas.
Cabello lembrou que, nos últimos 17 meses, o governo dos EUA tem utilizado o que ele chamou de “terrorismo psicológico” contra a Venezuela, usando campanhas na mídia e narrativas falsas para justificar sanções e bloqueios.

Segundo ministro venezuelano, setores da oposição que buscam apoio internacional ‘não terão sucesso”
Con el Mazo Dando/PSUV
Em resposta a essas agressões, ele afirmou que os venezuelanos reagiram com firmeza, cientes de que o principal objetivo dessas agressões é a apropriação de recursos naturais.
“O que dizem sobre a Venezuela é mentira. Não é verdade que ajudamos terroristas; isso é mentira. Essa história do Trem de Aragua [fação venezuelana na mira do governo Trump] não existe”, enfatizou, refutando as acusações que buscam criminalizar o país.
Cabello também defendeu que a Venezuela “é uma nação rica e diversa e, portanto, não precisa do narcotráfico como motor econômico”, enfatizando que o país é o que menos sofre com problemas de dependência química na região.
Nesse sentido, afirmou que a Venezuela “tem capacidade para se livrar dos agressores e que as tentativas de setores da oposição de buscar apoio internacional para operações desestabilizadoras não terão sucesso”.
Por fim, o ministro venezuelano enfatizou que o petróleo e os minerais são bens de domínio público, inalienáveis e imprescritíveis, que nenhum acordo ou pressão externa pode se sobrepor à Constituição venezuelana e que qualquer tentativa de justificar reivindicações estrangeiras sobre terras ou recursos será rejeitada.
Tensões aumentam
Desde agosto passado, os EUA mantêm uma força militar significativa na costa da Venezuela, justificando-a como parte da luta contra o narcotráfico. Washington anunciou posteriormente a Operação Lança do Sul, com o objetivo oficial de “eliminar narcoterroristas” do Hemisfério Ocidental e “proteger” os EUA “das drogas que estão matando” seus cidadãos. Além disso, Trump afirmou que, para esse fim, lançará em breve ataques terrestres.
Como parte dessas operações, foram realizados atentados contra barcos de supostos traficantes de drogas no Caribe e no Pacífico, resultando em um total de quase 100 mortos e sem provas de que eles realmente traficavam narcóticos.
Em uma escalada de ações violentas dos EUA na região, militares norte-americanos abordaram e apreenderam um petroleiro na costa da Venezuela. Caracas classificou o incidente como um “roubo descarado” e um “ato de pirataria internacional”. Maduro denunciou a situação como “um ato absolutamente criminoso e ilegal” e acusou a Casa Branca de agir “como piratas do Caribe contra uma embarcação mercante, comercial, civil, privada, um navio da paz”.
Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é a “mudança de regime” para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela. “A máscara deles caiu; o narcotráfico é ‘notícia falsa’: é o petróleo que eles querem roubar”, declarou após o ataque ao petroleiro que transportava petróleo bruto venezuelano em águas caribenhas.
Já na noite da última terça-feira (16/12), o presidente Donald Trump ordenou um “bloqueio total de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela”. Ele também acusou o governo venezuelano de “usar petróleo, terras e outros ativos”, que, segundo ele, foram “roubados” dos EUA, para financiar o “narcoterrorismo”. Com base nisso, ele designou o governo Maduro como uma “organização terrorista estrangeira”.
As decisões decorrem da acusação, sem provas, de Washington de que o presidente venezuelano lidera um cartel de drogas, com a multiplicação da recompensa por sua captura (de US$25 milhões para US$50 milhões).
A Organização das Nações Unidas e a própria a Agência de Repressão às Drogas dos Estados Unidos (DEA) apontam que a Venezuela não é uma rota principal para o tráfico de drogas para território norte-americano, já que mais de 80% das drogas utilizam a rota do Pacífico.
(*) Com RT en español e TeleSUR
























