Irã condena sequestro de Maduro e alerta ONU sobre 'precedente' perigoso para o mundo
Porta-voz afirma que ação norte-americana viola soberania; falta de reação internacional clara afetará comunidade global, afirma Teerã
Durante a conferência de imprensa desta segunda-feira (05/01), o porta-voz iraniano do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baqaei, declarou que o Irã “não está ligado a indivíduos, mas a princípios”, e afirmou que “o sequestro do presidente de um país não é motivo de orgulho nem é legal”.
Ele também disse que o conflito diz respeito a todos os Estados-membros da ONU preocupados com as violações dos princípios internacionais. Alertou que as infrações ao direito internacional, se não forem combatidas, encorajarão ainda mais os infratores.
“O presidente da Venezuela deve ser libertado”, enfatizou Baqaei, observando que muitos países já se posicionaram sobre o assunto e que o secretário-geral da ONU tem a responsabilidade de salvaguardar a Carta das Nações Unidas. Ele alertou que a falta de uma reação “clara e explícita” acabaria por afetar toda a comunidade internacional.
“A violação da soberania nacional de um país é injustificável e contradiz todos os padrões aceitos”, acrescentou, reiterando que o precedente estabelecido teria repercussões para toda a comunidade internacional.
Após meses de ameaças e táticas de pressão, os EUA bombardearam a Venezuela no sábado (03/01) e sequestraram seu presidente, Nicolás Maduro, que foi preso e levado para uma prisão federal em Nova York, onde será julgado nesta segunda-feira (05/01).

Trump alerta o Irã sobre ‘forte ataque’ dos EUA após ação contra a Venezuela
Ministry of Foreign Affairs of the Islamic Republic of Iran
Alerta de guerra contra o Irã
Horas depois que a Casa Branca anunciou o sequestro do presidente venezuelano, o político israelense da oposição, Yair Lapid, fez um alerta a Teerã: “O regime iraniano deve prestar muita atenção ao que está acontecendo na Venezuela”, escreveu no X.
Embora as tensões de Washington com Caracas e Teerã tenham históricos e dinâmicas diferentes, analistas afirmam que a ação de Trump contra Maduro aumenta as chances de guerra com o Irã. “Uma nova onda de anarquia torna tudo menos estável e a guerra mais provável”, disse Jamal Abdi, presidente do Conselho Nacional Iraniano-Americano (NIAC).
“Quer Trump se encante com a ideia de uma mudança de regime ‘cirúrgica’, quer dê a Netanyahu o aval dos EUA para ações semelhantes, é difícil não perceber como isso impulsiona os muitos atores que pressionam por uma nova guerra com o Irã”, acrescentou Abdi, em declarações à emissora catari Al Jazeera.
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O analista acrescentou que o sequestro de Maduro poderia levar o Irã “a fazer algo que desencadeie uma ação militar”, incluindo o desenvolvimento de sua própria força de dissuasão militar ou a antecipação de ataques dos EUA ou de Israel.
Paralelamente, na noite de domingo (04/01), Trump disse a repórter a bordo do Air Force One que o Irã seria atingido “muito duramente” se mais manifestantes fossem mortos durante os protestos contra a deterioração das condições de vida.
“Estamos acompanhando a situação de perto, e se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que vão receber uma resposta muito forte dos Estados Unidos”, declarou.
Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores do Irã respondeu nesta segunda-feira (05/01): “Declarações do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e de autoridades norte-americanas linha-dura sobre a situação interna no Irã promovem o terrorismo e a violência. A entidade sionista está à espera de qualquer oportunidade para atacar a nossa unidade nacional.”























